Um arquivo, doze documentos

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Abstract

Com organização do Instituto de Estudos Medievais da Universidade Nova de Lisboa e colaboração do Projecto Vinculum, a mostra documental “Um arquivo, doze documentos” nasceu do trabalho de inventariação de um extenso arquivo familiar à guarda da Biblioteca Nacional de Portugal, no âmbito da tese de doutoramento em História, na especialidade de Arquivística Histórica, de Alice Borges Gago, defendida em 2019, que teve como instituição de acolhimento o Instituto de Estudos Medievais.
O catálogo que agora se publica reúne os textos elaborados para a mostra documental patente na Biblioteca Nacional de Portugal entre os meses de maio de 2021 a abril de 2022.
A ideia da apresentação de um documento por mês, ao longo de um ano, surgiu após o longo e imenso trabalho de inventariação de um extenso arquivo familiar à guarda da Biblioteca Nacional de Portugal, no âmbito da nossa tese de doutoramento em História, na especialidade de Arquivística Histórica, defendida em finais de 2019 na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.
A realização da tese, que analisou os arquivos e as práticas arquivísticas de seis famílias das elites do Entre-Douro-e-Minho nos séculos XV a XVII, foi possível graças ao financiamento da Fundação para a Ciência e a Tecnologia, através de uma bolsa de doutoramento, mas também à colaboração entre a Biblioteca Nacional de Portugal e o Instituto de Estudos Medievais. Assim, e no que diz respeito à instituição detentora do acervo, beneficiou da inventariação e valorização de um acervo documental riquíssimo, que permitirá múltiplos campos de investigação sobre inúmeros temas e cronologias e, no que respeitou à academia, possibilitou a abertura à sociedade, produzindo e divulgando conhecimento científico.
Em 2020, a tese foi premiada com o Prémio História Alberto Sampaio, de instituição conjunta dos Municípios de Braga, Guimarães e Vila Nova de Famalicão e da Sociedade Martins Sarmento, com direção científica da Academia das Ciências de Lisboa.
O arquivo Almada e Lencastre Bastos, depositado na Biblioteca Nacional de Portugal desde 1974, constitui um dos maiores acervos de família detidos pela instituição. Abarca cronologicamente os séculos XIV a XX e deve a sua denominação ao apelido do último proprietário, João de Almada e Lencastre Bastos, que propôs a sua venda ao Estado português.
O arquivo integra dois cartórios: o dos viscondes de Vila Nova de Souto del Rei (família Almada Melo) e o da família Pereira Forjaz Coutinho, na pessoa de Miguel Pereira Forjaz Coutinho, titulado Conde da Feira em 1820, o qual viria a falecer, sem descendência, em 1827, pelo que, cartório e bens, foram herdados pela sua irmã, Maria Joana Forjaz Coutinho, casada com o terceiro visconde de Vila Nova de Souto del Rei, João José de Almada Velho e Lencastre. Os dois cartórios mantiveram a sua individualidade, atestada pela distinção entre cotas e inventários.
Do cartório dos Viscondes de Vila Nova de Souto del Rei fazem parte os documentos produzidos, recebidos e acumulados entre os séculos XV e XX pelas famílias Almada, de Lisboa; Lopes de Carvalho, de Lisboa; Lencastre, de Lisboa; Barbosa de Lima e Cunha Velho, de Monção; Lobo, de Montemor-o-Novo; Faria, alcaides de Palmela no século XVI; Albuquerque e Sousa Coutinho, antigos emprazadores do souto del Rei, mais tarde Quinta de Souto del Rei, que deu origem ao título.
Ao segundo cartório pertencem os documentos referentes à família Pereira Forjaz Coutinho, de Lisboa, a qual incorporou os arquivos das famílias Magalhães de Meneses, senhores da Barca, e que se fixaram, já no século XIX, em Ponte de Lima; Valadares e Carneiro, do Porto; Machucho, do Porto; Ferraz, do Porto e sua ligação à família Nunes Barreto, originária de Aveiro; Resende, de Coimbra; Pacheco e Furtado de Mendonça; Dantas, da Galiza; Ribeiro, morgados do Canidelo; Ferreira de Távora, do Porto e Tavares do Amaral, só para citar as que tinham estreitos laços familiares com a família Pereira Forjaz Coutinho assim como maior expressividade numérica a nível documental.
Todas estas famílias acima elencadas se encontravam ligadas ou por laços de parentesco por via de casamentos e linhas sucessórias ou por terem sido nomeadas testamenteiras ou administradoras de algum vínculo instituído por um elemento exterior ao núcleo familiar.
O acervo documental manteve-se na posse da família Almada e Melo Velho até que, em 1957, João de Almada e Lencastre Bastos pretendeu vender o arquivo. Foi criada uma comissão pelo Estado português para a sua avaliação e proposta de um valor de compra. Tendo o proponente falecido em 1958, foram as suas herdeiras (a sua viúva, Maria de Lourdes dos Santos Bastos; uma tia, Isabel de Melo e uma prima, Maria José de Almada e Lencastre de Sousa Teles) que deram continuidade ao processo de venda, a qual se veio a concretizar em 1974.
Em janeiro desse ano o arquivo Almada e Lencastre Bastos deu entrada na Biblioteca Nacional de Portugal.
Original languagePortuguese
Place of PublicationLisboa
PublisherIEM / BNP
Number of pages39
ISBN (Electronic)9789895358519
ISBN (Print)9789895358502
Publication statusPublished - 2022

Keywords

  • Arquivos de família
  • Exposição
  • Biblioteca Nacional de Portugal

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