Abstract
A presença militar em actos públicos relacionados com o calendário festivo Real, incluindo-se aí as honras fúnebres, marcava-se por acções coreografadas das tropas ao som das caixas, tambores, instrumentos de sopro e também pelo aparato sonoro bélico. Esse era constituído por salvas de fuzilaria e artilharia dadas pelos castelos, fortalezas e embarcações que utilizavam, nas operações navais, esses sons como meio de comunicação e como forma de saudar hierarquicamente autoridades. Nas festas, a sonoridade bélica compunha o cerimonial, ordenando-o, dando-lhe maior solenidade e actuando como demonstração do poderio militar da coroa impondo, através da coacção sonora aos seus súbditos, a autoridade dos monarcas. A partir do cerimonial fúnebre dedicado ao rei D. João V, falecido em 31 de Julho de 1750 propomos, nessa comunicação, identificar a funcionalidade e as formas de articulação dos sons bélicos com os rituais realizados em Lisboa – desde o anúncio público da morte, as cerimónias municipais do Bando e da Quebra dos Escudos, o cortejo, as Exéquias, até ao sepultamento -, associá-los com outras categorias sonoras (prática sineira e musical) e promover um estudo cronológico dos protocolos fúnebres reais, em Portugal, na primeira metade do século XVIII.
Original language | Portuguese |
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Publication status | Published - Oct 2017 |
Event | 3M+1 - Encontro de História da Matemática, da Música e Militar - Universidade do Minho, Braga, Portugal Duration: 12 Oct 2017 → 14 Oct 2017 |
Conference
Conference | 3M+1 - Encontro de História da Matemática, da Música e Militar |
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Country/Territory | Portugal |
City | Braga |
Period | 12/10/17 → 14/10/17 |