The politics of foreign policy: realism, agency and cleavages.

Research output: Chapter in Book/Report/Conference proceedingChapter

4 Downloads (Pure)

Abstract

A principal marca da política externa é a sua distinção em relação à política interna/doméstica (uma fronteira clara entre interno-externo), e, associada a essa estão: a racionalidade do Estado, o interesse nacional e a defesa de ameaças externas, a contínua busca por poder, mas sobretudo a sua estabilidade,
constância, previsibilidade e despolitização (‘negação da política’). Tal levaria ao distanciamento dos cidadãos (e da discussão política) relativamente à política externa e, em consequência, um processo esvaziado de acção política, de decisão, de clivagens político-partidárias reais e efectivas, de agência, em
suma. Ou seja, reconhecer a política externa como um processo esvaziado de política ('politics') fomenta o desinteresse dos cidadãos sobre essas matérias, e vice-versa. Procuraremos analisar criticamente essa percepção sobre a acção externa do Estado, em três partes. Primeiro, como o Realismo limita e impede
uma análise mais alargada e exacta da política externa, retirando-lhe complexidade; segundo, a questão agente-estrutura, em particular num contexto de globalização; terceiro, o papel da política ('politics') na política externa, avaliando-o e avançando pistas para a sua melhor compreensão. Estes elementos votam a política externa como uma área 'especial' da acção do Estado, onde a discussão pública, a proposta de caminhos alternativos, e a democracia parecem não ter lugar. Defendemos que a política pode engajar directamente com a política externa e que, num contexto globalizado, ao invés de perder a sua importância, a política externa é reforçada e complexifica-se.
Translated title of the contributionThe politics of foreign policy: realism, agency and cleavages.
Original languagePortuguese
Title of host publicationO Pensamento, Hoje, Ainda Tem Efeitos Práticos?
Subtitle of host publicationAinda Podemos Pensar A Democracia Como Algo Ao Nosso Alcance?
EditorsVítor Oliveira Jorge
Place of PublicationLisboa
PublisherInstituto de História Contemporânea
Pages35-43
Number of pages9
ISBN (Print)978-989-98388-5-7
Publication statusPublished - 2018

Fingerprint

realism
foreign policy
politics

Keywords

  • política externa
  • Realismo;
  • política
  • Análise de Política Externa.

Cite this

Sousa, P. P. (2018). A “política” na política externa: realismo, agência e clivagens. In V. O. Jorge (Ed.), O Pensamento, Hoje, Ainda Tem Efeitos Práticos? : Ainda Podemos Pensar A Democracia Como Algo Ao Nosso Alcance? (pp. 35-43). Lisboa: Instituto de História Contemporânea.
Sousa, Pedro Ponte. / A “política” na política externa: realismo, agência e clivagens. O Pensamento, Hoje, Ainda Tem Efeitos Práticos? : Ainda Podemos Pensar A Democracia Como Algo Ao Nosso Alcance?. editor / Vítor Oliveira Jorge. Lisboa : Instituto de História Contemporânea, 2018. pp. 35-43
@inbook{64752a1621604fc7aaaa9f94f503beed,
title = "A “pol{\'i}tica” na pol{\'i}tica externa: realismo, ag{\^e}ncia e clivagens",
abstract = "A principal marca da pol{\'i}tica externa {\'e} a sua distin{\cc}{\~a}o em rela{\cc}{\~a}o {\`a} pol{\'i}tica interna/dom{\'e}stica (uma fronteira clara entre interno-externo), e, associada a essa est{\~a}o: a racionalidade do Estado, o interesse nacional e a defesa de amea{\cc}as externas, a cont{\'i}nua busca por poder, mas sobretudo a sua estabilidade,const{\^a}ncia, previsibilidade e despolitiza{\cc}{\~a}o (‘nega{\cc}{\~a}o da pol{\'i}tica’). Tal levaria ao distanciamento dos cidad{\~a}os (e da discuss{\~a}o pol{\'i}tica) relativamente {\`a} pol{\'i}tica externa e, em consequ{\^e}ncia, um processo esvaziado de ac{\cc}{\~a}o pol{\'i}tica, de decis{\~a}o, de clivagens pol{\'i}tico-partid{\'a}rias reais e efectivas, de ag{\^e}ncia, emsuma. Ou seja, reconhecer a pol{\'i}tica externa como um processo esvaziado de pol{\'i}tica ('politics') fomenta o desinteresse dos cidad{\~a}os sobre essas mat{\'e}rias, e vice-versa. Procuraremos analisar criticamente essa percep{\cc}{\~a}o sobre a ac{\cc}{\~a}o externa do Estado, em tr{\^e}s partes. Primeiro, como o Realismo limita e impedeuma an{\'a}lise mais alargada e exacta da pol{\'i}tica externa, retirando-lhe complexidade; segundo, a quest{\~a}o agente-estrutura, em particular num contexto de globaliza{\cc}{\~a}o; terceiro, o papel da pol{\'i}tica ('politics') na pol{\'i}tica externa, avaliando-o e avan{\cc}ando pistas para a sua melhor compreens{\~a}o. Estes elementos votam a pol{\'i}tica externa como uma {\'a}rea 'especial' da ac{\cc}{\~a}o do Estado, onde a discuss{\~a}o p{\'u}blica, a proposta de caminhos alternativos, e a democracia parecem n{\~a}o ter lugar. Defendemos que a pol{\'i}tica pode engajar directamente com a pol{\'i}tica externa e que, num contexto globalizado, ao inv{\'e}s de perder a sua import{\^a}ncia, a pol{\'i}tica externa {\'e} refor{\cc}ada e complexifica-se.",
keywords = "pol{\'i}tica externa, Realismo;, pol{\'i}tica, An{\'a}lise de Pol{\'i}tica Externa.",
author = "Sousa, {Pedro Ponte}",
note = "info:eu-repo/grantAgreement/FCT/5876/147295/PT# UID/CPO/04627/2013",
year = "2018",
language = "Portuguese",
isbn = "978-989-98388-5-7",
pages = "35--43",
editor = "Jorge, {V{\'i}tor Oliveira }",
booktitle = "O Pensamento, Hoje, Ainda Tem Efeitos Pr{\'a}ticos?",
publisher = "Instituto de Hist{\'o}ria Contempor{\^a}nea",

}

Sousa, PP 2018, A “política” na política externa: realismo, agência e clivagens. in VO Jorge (ed.), O Pensamento, Hoje, Ainda Tem Efeitos Práticos? : Ainda Podemos Pensar A Democracia Como Algo Ao Nosso Alcance?. Instituto de História Contemporânea, Lisboa, pp. 35-43.

A “política” na política externa: realismo, agência e clivagens. / Sousa, Pedro Ponte.

O Pensamento, Hoje, Ainda Tem Efeitos Práticos? : Ainda Podemos Pensar A Democracia Como Algo Ao Nosso Alcance?. ed. / Vítor Oliveira Jorge. Lisboa : Instituto de História Contemporânea, 2018. p. 35-43.

Research output: Chapter in Book/Report/Conference proceedingChapter

TY - CHAP

T1 - A “política” na política externa: realismo, agência e clivagens

AU - Sousa, Pedro Ponte

N1 - info:eu-repo/grantAgreement/FCT/5876/147295/PT# UID/CPO/04627/2013

PY - 2018

Y1 - 2018

N2 - A principal marca da política externa é a sua distinção em relação à política interna/doméstica (uma fronteira clara entre interno-externo), e, associada a essa estão: a racionalidade do Estado, o interesse nacional e a defesa de ameaças externas, a contínua busca por poder, mas sobretudo a sua estabilidade,constância, previsibilidade e despolitização (‘negação da política’). Tal levaria ao distanciamento dos cidadãos (e da discussão política) relativamente à política externa e, em consequência, um processo esvaziado de acção política, de decisão, de clivagens político-partidárias reais e efectivas, de agência, emsuma. Ou seja, reconhecer a política externa como um processo esvaziado de política ('politics') fomenta o desinteresse dos cidadãos sobre essas matérias, e vice-versa. Procuraremos analisar criticamente essa percepção sobre a acção externa do Estado, em três partes. Primeiro, como o Realismo limita e impedeuma análise mais alargada e exacta da política externa, retirando-lhe complexidade; segundo, a questão agente-estrutura, em particular num contexto de globalização; terceiro, o papel da política ('politics') na política externa, avaliando-o e avançando pistas para a sua melhor compreensão. Estes elementos votam a política externa como uma área 'especial' da acção do Estado, onde a discussão pública, a proposta de caminhos alternativos, e a democracia parecem não ter lugar. Defendemos que a política pode engajar directamente com a política externa e que, num contexto globalizado, ao invés de perder a sua importância, a política externa é reforçada e complexifica-se.

AB - A principal marca da política externa é a sua distinção em relação à política interna/doméstica (uma fronteira clara entre interno-externo), e, associada a essa estão: a racionalidade do Estado, o interesse nacional e a defesa de ameaças externas, a contínua busca por poder, mas sobretudo a sua estabilidade,constância, previsibilidade e despolitização (‘negação da política’). Tal levaria ao distanciamento dos cidadãos (e da discussão política) relativamente à política externa e, em consequência, um processo esvaziado de acção política, de decisão, de clivagens político-partidárias reais e efectivas, de agência, emsuma. Ou seja, reconhecer a política externa como um processo esvaziado de política ('politics') fomenta o desinteresse dos cidadãos sobre essas matérias, e vice-versa. Procuraremos analisar criticamente essa percepção sobre a acção externa do Estado, em três partes. Primeiro, como o Realismo limita e impedeuma análise mais alargada e exacta da política externa, retirando-lhe complexidade; segundo, a questão agente-estrutura, em particular num contexto de globalização; terceiro, o papel da política ('politics') na política externa, avaliando-o e avançando pistas para a sua melhor compreensão. Estes elementos votam a política externa como uma área 'especial' da acção do Estado, onde a discussão pública, a proposta de caminhos alternativos, e a democracia parecem não ter lugar. Defendemos que a política pode engajar directamente com a política externa e que, num contexto globalizado, ao invés de perder a sua importância, a política externa é reforçada e complexifica-se.

KW - política externa

KW - Realismo;

KW - política

KW - Análise de Política Externa.

M3 - Chapter

SN - 978-989-98388-5-7

SP - 35

EP - 43

BT - O Pensamento, Hoje, Ainda Tem Efeitos Práticos?

A2 - Jorge, Vítor Oliveira

PB - Instituto de História Contemporânea

CY - Lisboa

ER -

Sousa PP. A “política” na política externa: realismo, agência e clivagens. In Jorge VO, editor, O Pensamento, Hoje, Ainda Tem Efeitos Práticos? : Ainda Podemos Pensar A Democracia Como Algo Ao Nosso Alcance?. Lisboa: Instituto de História Contemporânea. 2018. p. 35-43