Reabilitação colaborativa

a experiência do Laboratório de Intervenção em Arquitetura INSITU’15

Filipa Ramalhete, Francisco Silva

Research output: Chapter in Book/Report/Conference proceedingConference contribution

Abstract

A Quinta dos Inglesinhos, assim denominada por pertencer ao Colégio Católico dos Ingleses em Lisboa, é uma das diversas estruturas que caracterizam a paisagem rural do concelho de Almada, a qual esteve, até ao século XX, principalmente associada à cultura da vinha. Dada a sua localização numa encosta junto a uma linha de água, a Quinta dispõe de um grande poço dotado de uma nora para extração de água, estrutura que se destaca no conjunto e com poucos paralelos na região.
A oportunidade de intervir sobre o espaço da Quinta dos Inglesinhos, nomeadamente no espaço exterior e na nora surgiu, em 2015, no âmbito de um Laboratório de Intervenção em Arquitetura, o INSITU’15.
Os Laboratórios de Intervenção em Arquitetura realizam-se desde 2012, com o objetivo de reforçar os laços entre a universidade e a comunidade. Criam espaços de atuação no real para os estudantes de arquitetura, sempre numa perspetiva de ligação aos espaços e às comunidades e agentes do território. Proporcionam uma experiencia única aos estudantes, que são confrontados com a possibilidade de projetar e construir, com as próprias mãos, para um lugar e pessoas reais, contribuindo para a resolução de problemas concretos (Ramalhete; Silva, 2014).
No INSITU’15 desenvolveu-se uma parceria entre o CEACT/UAL, a Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão com Deficiência Mental (APPACDM), o Vitruvius FabLab (ISCTE/IUL) e o Centro de Arqueologia de Almada, para, em conjunto com a comunidade, serem feitas intervenções com o objetivo de melhorar o espaço da Quinta, para que a associação APPACDM possuísse espaços exteriores mais adequados às suas necessidades. O projeto incluiu a construção de novas estruturas de melhoramento e apoio ao espaço exterior e também o restauro do poço de uma nora, através da aplicação de argamassas tradicionais à base de cal. Teve o apoio da Câmara Municipal de Almada e da empresa Fradical. Propomos, nesta comunicação, apresentar este processo como um exemplo de reabilitação colaborativa, com o objetivo de discutir as potencialidades dos processos colaborativos para a defesa do património de um território assim como para a formação de técnicos capazes de o fazer. Quais as vantagens destes processos? Que problemas e constrangimentos acarretam? Quem são os parceiros indicados? Estas são algumas das questões sobre as quais procuraremos refletir.
Original languagePortuguese
Title of host publicationAtas do Congresso Ibero-Americano "Património, suas matérias e imatérias”
Place of PublicationLisboa
PublisherLNEC
Pages1-9
Number of pages9
ISBN (Electronic)978-972-49-2288-1
Publication statusPublished - 2016

Keywords

  • Intervenção ativa da comunidade
  • Arquitetura rural
  • Cal aérea
  • Almada
  • Património

Cite this

Ramalhete, F., & Silva, F. (2016). Reabilitação colaborativa: a experiência do Laboratório de Intervenção em Arquitetura INSITU’15. In Atas do Congresso Ibero-Americano "Património, suas matérias e imatérias” (pp. 1-9). Lisboa: LNEC.