Práticas Textuais 17|18: um exemplo de apropriação de géneros textuais no Ensino Superior

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Abstract

A comunicação que nos propomos fazer tem como foco a apresentação de Práticas Textuais 17|18 – um projeto de operacionalização da apropriação do género textual artigo científico por alunos do Ensino Superior no ano letivo de 2017/2018, no âmbito da unidade curricular Práticas Textuais, que integra a estrutura curricular da licenciatura em Ciências da Linguagem na NOVA FCSH (Departamento de Linguística). Enquadrado teórica e metodologicamente pela perspetiva do Interacionismo Sociodiscursivo (ISD), formulado por Jean-Paul Bronckart (1997), o projeto em causa assumiu como centrais a “condição irredutivelmente semiótica (linguística) do saber” (Coutinho, 2003:26) e a preponderância dos géneros textuais (aqui encarados como pré-construídos históricos, criados pelas gerações precedentes e interiorizados a partir da experiência textual dos falantes) enquanto reguladores das práticas comunicativas. Assim, na sequência de outros trabalhos enquadrados pela postura teórica e epistemológica do ISD (por exemplo, Pereira, 2000; Cristóvão & Nascimento, 2004; Machado & colaboradores, 2009; Coutinho, 2013), o projeto Práticas Textuais 17|18 partiu do princípio de que a apropriação da linguagem académica se faz por via da apropriação formal dos géneros textuais que circulam no âmbito da atividade académica – desde a nota biográfica (académica) ao artigo científico, passando pela recensão crítica ou pela síntese (de artigos ou perspetivas teóricas) – e que essa apropriação passa pela praxis (mais do que pela explicitação de metalinguagem). O projeto visou dois objetivos complementares: 1) por um lado, implementar, no âmbito da unidade curricular Práticas Textuais, um percurso de apropriação formal do género artigo científico, teórica e metodologicamente enquadrado pelo ISD; 2) por outro lado, contribuir para a reflexão sobre o ISD, encarado como uma ciência de intervenção, com capacidade de operacionalização prática. Inspirado nos dispositivos didáticos sequência didática e modelo didático de género (Dolz & Schneuwly, 2004), e tendo em conta o contexto específico do Ensino Superior, o percurso didático implementado envolveu um projeto de comunicação autêntico – a publicação de artigos científicos produzidos pelos alunos, depois de terem sido abordados, em trabalho predominantemente oficinal, as dimensões ensináveis do género artigo científico – e permitiu chegar a duas conclusões: 1) a apropriação formal de géneros textuais ditos académicos poderá ser uma via produtiva para o domínio da linguagem académica; 2) a apropriação formal dos géneros académicos decorre do contacto direto com exemplares desses mesmos géneros, envolvendo simultaneamente práticas de leitura, escrita e reflexão sobre a língua em funcionamento – tal como se refere na Nota de Abertura da publicação a que o projeto deu origem: “O que está em causa é a apropriação de modelos e a experiência concreta de os pôr em prática. Porque nenhum saber declarativo (sobre escrita) se substitui à experiência pessoal de escrita. E nenhum saber anteriormente formulado se substitui ao trabalho de (re) formulação – de textualização – de quem dele se apropria.” (Jorge, Coutinho, Fidalgo & Rosa, 2018:6).
Original languagePortuguese
Pages24-25
Number of pages2
Publication statusPublished - 2018
EventEncontro Nacional sobre Discurso Académico - ESCOLA SUPERIOR DE EDUCAÇÃO E DE CIÊNCIAS SOCIAIS do INSTITUTO POLITÉCNICO DE LEIRIA, Leiria, Portugal
Duration: 7 Sep 20188 Sep 2018
Conference number: 1
https://sites.ipleiria.pt/1enda2018/

Conference

ConferenceEncontro Nacional sobre Discurso Académico
CountryPortugal
CityLeiria
Period7/09/188/09/18
Internet address

Keywords

  • géneros textuais
  • artigo científico
  • linguagem académica
  • Interacionismo Sociodiscursivo
  • didática da escrita

Cite this

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keywords = "g{\'e}neros textuais, artigo cient{\'i}fico, linguagem acad{\'e}mica, Interacionismo Sociodiscursivo, did{\'a}tica da escrita",
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language = "Portuguese",
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url = "https://sites.ipleiria.pt/1enda2018/",

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Jorge, NDO, Coutinho, MA, Fidalgo, M & Rosa, R 2018, 'Práticas Textuais 17|18: um exemplo de apropriação de géneros textuais no Ensino Superior' Encontro Nacional sobre Discurso Académico, Leiria, Portugal, 7/09/18 - 8/09/18, pp. 24-25.

Práticas Textuais 17|18 : um exemplo de apropriação de géneros textuais no Ensino Superior. / Jorge, Noémia de Oliveira; Coutinho, Maria Antónia; Fidalgo, Marta; Rosa, Rute.

2018. 24-25 Abstract from Encontro Nacional sobre Discurso Académico, Leiria, Portugal.

Research output: Contribution to conferenceAbstract

TY - CONF

T1 - Práticas Textuais 17|18

T2 - um exemplo de apropriação de géneros textuais no Ensino Superior

AU - Jorge, Noémia de Oliveira

AU - Coutinho, Maria Antónia

AU - Fidalgo, Marta

AU - Rosa, Rute

N1 - info:eu-repo/grantAgreement/FCT/5876/147316/PT# info:eu-repo/grantAgreement/FCT/PD/PD%2FBD%2F105764%2F2014/PT# UID/LIN/03213/2013 PD/BD/113974/2015 PD/BD/105764/2014

PY - 2018

Y1 - 2018

N2 - A comunicação que nos propomos fazer tem como foco a apresentação de Práticas Textuais 17|18 – um projeto de operacionalização da apropriação do género textual artigo científico por alunos do Ensino Superior no ano letivo de 2017/2018, no âmbito da unidade curricular Práticas Textuais, que integra a estrutura curricular da licenciatura em Ciências da Linguagem na NOVA FCSH (Departamento de Linguística). Enquadrado teórica e metodologicamente pela perspetiva do Interacionismo Sociodiscursivo (ISD), formulado por Jean-Paul Bronckart (1997), o projeto em causa assumiu como centrais a “condição irredutivelmente semiótica (linguística) do saber” (Coutinho, 2003:26) e a preponderância dos géneros textuais (aqui encarados como pré-construídos históricos, criados pelas gerações precedentes e interiorizados a partir da experiência textual dos falantes) enquanto reguladores das práticas comunicativas. Assim, na sequência de outros trabalhos enquadrados pela postura teórica e epistemológica do ISD (por exemplo, Pereira, 2000; Cristóvão & Nascimento, 2004; Machado & colaboradores, 2009; Coutinho, 2013), o projeto Práticas Textuais 17|18 partiu do princípio de que a apropriação da linguagem académica se faz por via da apropriação formal dos géneros textuais que circulam no âmbito da atividade académica – desde a nota biográfica (académica) ao artigo científico, passando pela recensão crítica ou pela síntese (de artigos ou perspetivas teóricas) – e que essa apropriação passa pela praxis (mais do que pela explicitação de metalinguagem). O projeto visou dois objetivos complementares: 1) por um lado, implementar, no âmbito da unidade curricular Práticas Textuais, um percurso de apropriação formal do género artigo científico, teórica e metodologicamente enquadrado pelo ISD; 2) por outro lado, contribuir para a reflexão sobre o ISD, encarado como uma ciência de intervenção, com capacidade de operacionalização prática. Inspirado nos dispositivos didáticos sequência didática e modelo didático de género (Dolz & Schneuwly, 2004), e tendo em conta o contexto específico do Ensino Superior, o percurso didático implementado envolveu um projeto de comunicação autêntico – a publicação de artigos científicos produzidos pelos alunos, depois de terem sido abordados, em trabalho predominantemente oficinal, as dimensões ensináveis do género artigo científico – e permitiu chegar a duas conclusões: 1) a apropriação formal de géneros textuais ditos académicos poderá ser uma via produtiva para o domínio da linguagem académica; 2) a apropriação formal dos géneros académicos decorre do contacto direto com exemplares desses mesmos géneros, envolvendo simultaneamente práticas de leitura, escrita e reflexão sobre a língua em funcionamento – tal como se refere na Nota de Abertura da publicação a que o projeto deu origem: “O que está em causa é a apropriação de modelos e a experiência concreta de os pôr em prática. Porque nenhum saber declarativo (sobre escrita) se substitui à experiência pessoal de escrita. E nenhum saber anteriormente formulado se substitui ao trabalho de (re) formulação – de textualização – de quem dele se apropria.” (Jorge, Coutinho, Fidalgo & Rosa, 2018:6).

AB - A comunicação que nos propomos fazer tem como foco a apresentação de Práticas Textuais 17|18 – um projeto de operacionalização da apropriação do género textual artigo científico por alunos do Ensino Superior no ano letivo de 2017/2018, no âmbito da unidade curricular Práticas Textuais, que integra a estrutura curricular da licenciatura em Ciências da Linguagem na NOVA FCSH (Departamento de Linguística). Enquadrado teórica e metodologicamente pela perspetiva do Interacionismo Sociodiscursivo (ISD), formulado por Jean-Paul Bronckart (1997), o projeto em causa assumiu como centrais a “condição irredutivelmente semiótica (linguística) do saber” (Coutinho, 2003:26) e a preponderância dos géneros textuais (aqui encarados como pré-construídos históricos, criados pelas gerações precedentes e interiorizados a partir da experiência textual dos falantes) enquanto reguladores das práticas comunicativas. Assim, na sequência de outros trabalhos enquadrados pela postura teórica e epistemológica do ISD (por exemplo, Pereira, 2000; Cristóvão & Nascimento, 2004; Machado & colaboradores, 2009; Coutinho, 2013), o projeto Práticas Textuais 17|18 partiu do princípio de que a apropriação da linguagem académica se faz por via da apropriação formal dos géneros textuais que circulam no âmbito da atividade académica – desde a nota biográfica (académica) ao artigo científico, passando pela recensão crítica ou pela síntese (de artigos ou perspetivas teóricas) – e que essa apropriação passa pela praxis (mais do que pela explicitação de metalinguagem). O projeto visou dois objetivos complementares: 1) por um lado, implementar, no âmbito da unidade curricular Práticas Textuais, um percurso de apropriação formal do género artigo científico, teórica e metodologicamente enquadrado pelo ISD; 2) por outro lado, contribuir para a reflexão sobre o ISD, encarado como uma ciência de intervenção, com capacidade de operacionalização prática. Inspirado nos dispositivos didáticos sequência didática e modelo didático de género (Dolz & Schneuwly, 2004), e tendo em conta o contexto específico do Ensino Superior, o percurso didático implementado envolveu um projeto de comunicação autêntico – a publicação de artigos científicos produzidos pelos alunos, depois de terem sido abordados, em trabalho predominantemente oficinal, as dimensões ensináveis do género artigo científico – e permitiu chegar a duas conclusões: 1) a apropriação formal de géneros textuais ditos académicos poderá ser uma via produtiva para o domínio da linguagem académica; 2) a apropriação formal dos géneros académicos decorre do contacto direto com exemplares desses mesmos géneros, envolvendo simultaneamente práticas de leitura, escrita e reflexão sobre a língua em funcionamento – tal como se refere na Nota de Abertura da publicação a que o projeto deu origem: “O que está em causa é a apropriação de modelos e a experiência concreta de os pôr em prática. Porque nenhum saber declarativo (sobre escrita) se substitui à experiência pessoal de escrita. E nenhum saber anteriormente formulado se substitui ao trabalho de (re) formulação – de textualização – de quem dele se apropria.” (Jorge, Coutinho, Fidalgo & Rosa, 2018:6).

KW - géneros textuais

KW - artigo científico

KW - linguagem académica

KW - Interacionismo Sociodiscursivo

KW - didática da escrita

M3 - Abstract

SP - 24

EP - 25

ER -