Possibilidades políticas do jornalismo cultural digital na perspectiva da democracia deliberativa

Translated title of the contribution: Political possibilities of the digital cultural journalism in a deliberative democracy perspective

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Abstract

ACTUALMENTE, é fértil a discussão sobre as possibilidades políticas das novas tecnologias no contexto da democracia deliberativa, dividindo “apocalípticos” e “integrados”. Este artigo centra-se, por sua vez, no papel diferenciador e activo que uma especialidade do jornalismo pode ter em particular – o jornalismo cultural – dada a sua origem ético-política, dimensão que ainda permanece e que pode ser potenciada na era digital.
As notícias são consideradas um elemento vital da democracia. Natalie Fenton (2010: 3) utiliza mesmo o termo “life-blood” para caracterizar esse papel. Ao informar o público segundo condições de verdade e imparcialidade, os jornalistas desempenham um serviço público. Embora as notícias sejam construções e, portanto, influenciadas por factores políticos, económicos e sociais que espelham o ambiente em que o jornalista trabalha, a verdade é que estas são ainda o meio privilegiado de comunicar com o público, fornecendo instrumentos para que este possa incorporar essa informação nos seus discursos. As democracias modernas necessitam, segundo Silveirinha (2010: 33), de uma “arena de participação política, onde as ideias, as alternativas, as opiniões e outras formas de discurso traduzam a actividade dos movimentos sociais e da sociedade civil, trazendo à discussão questões que tenham sido até este momento excluídas ou pelo menos marginalizadas”. O jornalismo digital poderá ter, nesse contexto, um papel bem mais activo do que o do jornalismo tradicional.
No que respeita, então, às novas tecnologias, o debate centra-se em torno
do seu papel: podem os novos media revitalizar a esfera pública ou, pelo
contrário, contribuem apenas para acentuar a vertente económica e não democrática dos media? Este artigo centra-se, porém, numa especialidade do jornalismo, o cultural, cuja dimensão ético-política esteve intimamente relacionada com a sua origem, tentando responder a uma questão: dada a sua dimensão ético-política, terá o jornalismo cultural na era digital condições para a revitalização do espaço público, tendo como referência o modelo da democracia deliberativa? Não se pretende tomar nenhuma posição radical, totalmente a favor daqueles que defendem fervorosamente o papel democrático dos novos media ou,
por outro lado, a favor dos que responsabilizam as novas tecnologias pelo cenário negro da sociedade. Assume-se aqui a posição tomada por João Pissarra Esteves (2007: 34) que vê como irrealistas ambas as perspectivas referidas, “ao definirem cada uma delas de forma peremptória uma certa relação com a democracia: uma, a Internet como um instrumento democrático altamente idealizado, e a outra, na perspectiva contrária, as novas tecnologias como uma espécie de força demoníaca, capaz de destruir a cultura democrática”. retende-se, assim, explorar neste artigo as possibilidades políticas e sociais do jornalismo cultural digital, equacionando de que forma este poderá contribuir para a democracia actual, na perspectiva deliberativa.
Original languagePortuguese
Pages (from-to)103-117
Number of pages14
JournalEstudos em Comunicação. Communications Studies
Volume9
Publication statusPublished - 2011

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