Pessanha em Eurico Carrapatoso

Da "Luz em um país perdido" ao "Cruzeiro do Sul"

Research output: Contribution to conferenceAbstract

Abstract

O Pequeno Poemário de Pessanha, obra coral de Eurico Carrapatoso, foi estreada em 2014 para celebrar o quinquagésimo aniversário do Coro da Gulbenkian. A sua força inaugural assenta nos espaços de significação poética e musical, bem como na espessura existencial que nela se inscrevem. Uma escrita da ausência e da evasão passa nos poemas de Pessanha escolhidos pelo compositor. Aquela escrita oscila entre melancolia e anseio da luz perdida, entre desistência e chamamento à viagem espiritual, rumo a novas constelações. Um "além Sul" que, em face do afundamento da alma (lusitana?), abrigue a rememoração de um lugar matricial e a promessa incerta de bem e beleza. Tal tensão expressa-se no ritmo e na orquestração da língua, na poética espáço-temporal do discurso, desdobrando-se ainda em movimentos metafóricos associados ao olhar, à água e tempo, afundamento e voo, errância e vislumbre do clarão ideal. Abordarei vestígios transtextuais nestes poemas de Pessanha e no Pequeno Poemário de Carrapatoso. O ato de composição musical transfigura a poesia em canto, deslocando-a para um patamar outro, fonte de uma nova experiência estética. Com economia de meios, Carrapatoso unifica musicalmente o Pequeno Poemário, modulando subtilmente as atmosferas. Sem prescindir do seu gesto musical próprio, o compositor hibridiza por momentos a sua escrita com reminiscências renascentistas, francesas e de "ventos tropicais". Tratarei o modo como a musicalidade dos versos, a sua forma e o seu mundo metafórico ressoam na composição musical, incluindo na vocalidade. Contudo, o Pequeno Poemário de Pessanha contém uma diferença em relação ao sentido dos poemas a que se refere: Carrapatoso não se detém na evocação do aniquilamento e da melancolia, inaugurando momentos musicais, onde um forte sentimento vital é criado. Algo se solta das amarras da desistência, convocando novos horizontes estéticos e existenciais. Aqui a música torna-se ato, sugerindo uma dimensão histórica urgente - quiçá o despertar de uma nova portugalidade.
Original languagePortuguese
Pages34-35
Number of pages2
Publication statusPublished - 2016
EventColóquio Internacional Português: Palavra e Música - Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, Portugal
Duration: 12 Dec 201614 Dec 2016
https://gulbenkian.pt/evento/coloquio-portugues-palavra-e-musica/

Conference

ConferenceColóquio Internacional Português: Palavra e Música
CountryPortugal
CityLisboa
Period12/12/1614/12/16
Internet address

Cite this

Toscano, M. (2016). Pessanha em Eurico Carrapatoso: Da "Luz em um país perdido" ao "Cruzeiro do Sul". 34-35. Abstract from Colóquio Internacional Português: Palavra e Música, Lisboa, Portugal.
Toscano, Manuela. / Pessanha em Eurico Carrapatoso : Da "Luz em um país perdido" ao "Cruzeiro do Sul". Abstract from Colóquio Internacional Português: Palavra e Música, Lisboa, Portugal.2 p.
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Toscano, M 2016, 'Pessanha em Eurico Carrapatoso: Da "Luz em um país perdido" ao "Cruzeiro do Sul"' Colóquio Internacional Português: Palavra e Música, Lisboa, Portugal, 12/12/16 - 14/12/16, pp. 34-35.

Pessanha em Eurico Carrapatoso : Da "Luz em um país perdido" ao "Cruzeiro do Sul". / Toscano, Manuela.

2016. 34-35 Abstract from Colóquio Internacional Português: Palavra e Música, Lisboa, Portugal.

Research output: Contribution to conferenceAbstract

TY - CONF

T1 - Pessanha em Eurico Carrapatoso

T2 - Da "Luz em um país perdido" ao "Cruzeiro do Sul"

AU - Toscano, Manuela

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PY - 2016

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N2 - O Pequeno Poemário de Pessanha, obra coral de Eurico Carrapatoso, foi estreada em 2014 para celebrar o quinquagésimo aniversário do Coro da Gulbenkian. A sua força inaugural assenta nos espaços de significação poética e musical, bem como na espessura existencial que nela se inscrevem. Uma escrita da ausência e da evasão passa nos poemas de Pessanha escolhidos pelo compositor. Aquela escrita oscila entre melancolia e anseio da luz perdida, entre desistência e chamamento à viagem espiritual, rumo a novas constelações. Um "além Sul" que, em face do afundamento da alma (lusitana?), abrigue a rememoração de um lugar matricial e a promessa incerta de bem e beleza. Tal tensão expressa-se no ritmo e na orquestração da língua, na poética espáço-temporal do discurso, desdobrando-se ainda em movimentos metafóricos associados ao olhar, à água e tempo, afundamento e voo, errância e vislumbre do clarão ideal. Abordarei vestígios transtextuais nestes poemas de Pessanha e no Pequeno Poemário de Carrapatoso. O ato de composição musical transfigura a poesia em canto, deslocando-a para um patamar outro, fonte de uma nova experiência estética. Com economia de meios, Carrapatoso unifica musicalmente o Pequeno Poemário, modulando subtilmente as atmosferas. Sem prescindir do seu gesto musical próprio, o compositor hibridiza por momentos a sua escrita com reminiscências renascentistas, francesas e de "ventos tropicais". Tratarei o modo como a musicalidade dos versos, a sua forma e o seu mundo metafórico ressoam na composição musical, incluindo na vocalidade. Contudo, o Pequeno Poemário de Pessanha contém uma diferença em relação ao sentido dos poemas a que se refere: Carrapatoso não se detém na evocação do aniquilamento e da melancolia, inaugurando momentos musicais, onde um forte sentimento vital é criado. Algo se solta das amarras da desistência, convocando novos horizontes estéticos e existenciais. Aqui a música torna-se ato, sugerindo uma dimensão histórica urgente - quiçá o despertar de uma nova portugalidade.

AB - O Pequeno Poemário de Pessanha, obra coral de Eurico Carrapatoso, foi estreada em 2014 para celebrar o quinquagésimo aniversário do Coro da Gulbenkian. A sua força inaugural assenta nos espaços de significação poética e musical, bem como na espessura existencial que nela se inscrevem. Uma escrita da ausência e da evasão passa nos poemas de Pessanha escolhidos pelo compositor. Aquela escrita oscila entre melancolia e anseio da luz perdida, entre desistência e chamamento à viagem espiritual, rumo a novas constelações. Um "além Sul" que, em face do afundamento da alma (lusitana?), abrigue a rememoração de um lugar matricial e a promessa incerta de bem e beleza. Tal tensão expressa-se no ritmo e na orquestração da língua, na poética espáço-temporal do discurso, desdobrando-se ainda em movimentos metafóricos associados ao olhar, à água e tempo, afundamento e voo, errância e vislumbre do clarão ideal. Abordarei vestígios transtextuais nestes poemas de Pessanha e no Pequeno Poemário de Carrapatoso. O ato de composição musical transfigura a poesia em canto, deslocando-a para um patamar outro, fonte de uma nova experiência estética. Com economia de meios, Carrapatoso unifica musicalmente o Pequeno Poemário, modulando subtilmente as atmosferas. Sem prescindir do seu gesto musical próprio, o compositor hibridiza por momentos a sua escrita com reminiscências renascentistas, francesas e de "ventos tropicais". Tratarei o modo como a musicalidade dos versos, a sua forma e o seu mundo metafórico ressoam na composição musical, incluindo na vocalidade. Contudo, o Pequeno Poemário de Pessanha contém uma diferença em relação ao sentido dos poemas a que se refere: Carrapatoso não se detém na evocação do aniquilamento e da melancolia, inaugurando momentos musicais, onde um forte sentimento vital é criado. Algo se solta das amarras da desistência, convocando novos horizontes estéticos e existenciais. Aqui a música torna-se ato, sugerindo uma dimensão histórica urgente - quiçá o despertar de uma nova portugalidade.

M3 - Abstract

SP - 34

EP - 35

ER -

Toscano M. Pessanha em Eurico Carrapatoso: Da "Luz em um país perdido" ao "Cruzeiro do Sul". 2016. Abstract from Colóquio Internacional Português: Palavra e Música, Lisboa, Portugal.