Perversom? Música, género e sexualidades na pornografia digital

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Abstract

A pornografia é uma entre inúmeras criações audiovisuais disponíveis na internet que recorrem a stock music (ou “música de arquivo”): ou seja, música composta previamente, disponível para uso em qualquer tipo de produções, tais como documentários ou publicidade. No entanto, devido à natureza sexual da pornografia, a música nela usada tem passado despercebida no meio académico (bem como a própria pornografia, tendo a revista Porn Studies surgido apenas em 2014). Dada a índole das músicas de arquivo, estas são usadas em produtos audiovisuais muito numerosos e díspares, nos quais há uma forte circulação de códigos musicais estereotipados. Esses estereótipos, aliás, estão já presentes na categorização da stock music em diferentes bases online. Este modo específico de criação e circulação musical torna-se assim indispensável para explorar a construção de significados em produtos audiovisuais, sendo a pornografia apenas um desses produtos. Materiais pornográficos audiovisuais são facilmente acedidos por um público extremamente vasto, sendo alvo de debates centrados nos seus supostos discursos sexistas. Um número crescente de autores, contudo, opõe-se à tendência simplista e redutora de encarar a pornografia como uma produção homogénea e ignorar a variedade crescente de géneros (Paasonen, 2009; Attwood, 2010), mesmo que grande parte destes sejam nichos de mercado. Atualmente, estas criações são sobretudo visualizadas online, graças a sites que agregam os seus utilizadores em fóruns de discussão, sendo mais um exemplo de comunidades formadas ou fortalecidas pela internet. Nestes diferentes géneros pornográficos encontra-se uma reiteração (com a pornografia “para mulheres”) ou, pelo contrário, uma subversão (com a pornografia feminista) de papéis de género e estereótipos sexuais. Essa reiteração é frequentemente reforçada pelo uso de sonoridades ou estilos musicais específicos, recorrendo, a maior parte de vezes, a música de arquivo. Os vários sites que vendem stock music categorizam-na não apenas por 55 géneros musicais (blues, jazz) como também por “ambientes” (acção, romântico, terror). É em associação com estes clichés musicais que vários filmes pornográficos reforçam papéis de género ou estereótipos de representação de certas sexualidades. Neste estudo centro-me em produtoras de géneros pornográficos não mainstream, tendo como principal objetivo o de investigar o modo como constroem uma imagem (e sonoridade) ‘de marca’ ao recorrerem a estas composições musicais pré-existentes.
Original languagePortuguese
Pages54-55
Number of pages2
Publication statusPublished - 2015
EventENIM 2015: V Encontro Nacional de Investigação em Música - Évora, Évora, Portugal
Duration: 12 Nov 201514 Nov 2015
http://www.spimusica.pt/enim-2015/

Conference

ConferenceENIM 2015
Abbreviated titleENIM 2015
CountryPortugal
CityÉvora
Period12/11/1514/11/15
Internet address

Keywords

  • música
  • género
  • sexualidade
  • pornografia
  • audiovisual

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