Paratextos, Ekhprasis e significação musical: os poemas sinfónicos [1910-1917] e os sonetos [1918] de João Marcelino Arroio

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Abstract

No seu vasto estudo sobre a actividade artística e política de João Marcelino Arroio, João Heitor Rigaud toma particular atenção na identificação e datação da produção sinfónica do compositor, concluindo que os poemas sinfónicos L’Amour, La Vie, Une Journée haveriam sido produzidos entre 1910 e 1918 e que a ode sinfónica Camoens dans la grotte havia sido composta após 1918; 1 o segundo poema sinfónico terá sido impresso pela B. Schott’s Söhne em 1914, de acordo com a indicação dos direitos de autor. A datação feita por Rigaud toma como argumentos, além de um estudo aturado das fontes, a produção literária do compositor, nomeadamente a publicação dos Sonetos pelas Livrarias Aillaud e Bertrand em 1918. Entre os mesmos contam-se quatro conjuntos de sonetos referentes aos três poemas sinfónicos e à ode sinfónica. Se por um lado a publicação dos sonetos parece trazer a público o conteúdo programático da produção sinfónica de João Arroio, produzido em data anterior ou próxima à composição dos sonetos, por outro lado poder-se- á considerar que os mesmos sonetos poderão ter sido realizados após a criação dos poemas sinfónicos e aquando da composição da ode sinfónica. Em suma, a publicação dos sonetos poderá consistir na apresentação de paratextos criados pelo compositor para a sua produção sinfónica (como seguramente poderá ser afirmado acerca da ode sinfónica), ou enquanto manifestação de ekhprasis – o exercício de criação de uma obra artística de índole verbal resultante de uma outra obra artística não-verbal – constituindo-se como o primeiro caso português (à data corrente de pesquisa) que toma como base uma obra musical, e o único exemplo nacional em que a produção das duas manifestações artísticas é realizada pelo mesmo autor. Se a clarificação da relação entre a produção dos poemas sinfónicos e dos sonetos é assaz problemática, oferece-nos a possibilidade de uma leitura intertextual que facilita o acesso aos processos de significação musical utilizados por João Marcelino Arroio. Assim, a presente comunicação toma como enfoque a análise do segundo poema sinfónico e do soneto a este correspondente, visando identificar quais os seus processos de significação musical e a sua relação com a obra literária.
Original languagePortuguese
Pages1
Publication statusPublished - 2014
EventII Congresso “O Porto Romântico - Universidade Católica do Porto, Porto, Portugal
Duration: 11 Apr 201412 Apr 2014
http://www.porto.ucp.pt/sites/default/files/files/artes/cartazprograma.pdf

Conference

ConferenceII Congresso “O Porto Romântico
CountryPortugal
CityPorto
Period11/04/1412/04/14
Internet address

Keywords

  • Paratexto
  • Significação
  • Semiótica

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