Padrões linguísticos do femicídio na imprensa escrita portuguesa

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Abstract

O aumento de notícias sobre violência doméstica sobre mulheres (14 femicídios, de acordo com o Público a 3 de maio de 2019) e a necessidade de intervir socialmente para contribuir para a erradicação das formas de violência, em particular o assassínio de mulheres e jovens de sexo feminino são motivadoras da proposta de comunicação aqui apresentada. Sabendo que a comunicação social, enquanto elemento indispensável para a informação, divulgação e a construção de opinião se rege pela Lei da Imprensa, pelo Estatuto do Jornalista e pelo Código Deontológico, pretende-se observar, através da linguagem utilizada, como o femicídio é divulgado nos meios de comunicação social escrita em Portugal.
O objetivo da comunicação é analisar notícias que divulgam o femicídio tendo em conta o que é dito e como é dito e, consequentemente, determinar a presença de padrões linguísticos. Para tal, foram tidos em conta os seguintes parâmetros de análise: 1) formato textual: notícia, reportagem, breve, entrevista, entre outros, 2) organização do conteúdo informativo: quê/quem/como/quando/porquê; 3) caracterização dos envolvidos e do evento a partir de uma análise do léxico.
A análise incide sobre um corpus de textos de caráter noticioso relativos a crimes de femicídio ocorridos em Portugal e com vítimas portuguesas, onde o agressor é ou foi cônjuge/parceiro/namorado da vítima (com relação emocional) extraídas quer do repositório digital Arquivo.pt (www.arquivo.pt) quer de periódicos portugueses. O Arquivo.pt, permite observar diacronicamente o fenómeno, enquanto a recolha em periódicos permite uma visão sincrónica e atual do mesmo.
O presente trabalho, de caráter multidisciplinar - linguística do texto e do discurso e a lexicologia/lexicografia -, segue uma metodologia mista (qualitativa e quantitativa) sustentando-se em trabalhos já desenvolvidos para outras temáticas (turismo, vinho, comunicação de ciência), e replicável para este fenómeno.
A análise dos dados permitiu destacar alguns padrões: (i) a diferenciação nos critérios para nomear/caracterizar a mulher (p.e., idade, estado civil, profissão, descendência) e o homem (p.e. temperamento e profissão); (ii) a variabilidade na nomeação do crime; (iii) a textualização da ação do crime em função do grau de informatividade (informativo versus sensacionalista).
Os dados preliminares mostram que existem padrões linguísticos distintos (alguns remetendo para estereótipos sexistas) na modalização dos envolvidos e do evento em notícias sobre o femicídio e evidenciam a necessidade de uma abordagem linguística para colmatar os estudos já desenvolvidos.
Original languagePortuguese
Pages63-64
Number of pages2
Publication statusPublished - Oct 2019
EventXXXV Encontro Nacional da Associação Portuguesa de Linguística - Universidade do Minho, Braga, Portugal
Duration: 9 Oct 201911 Oct 2019

Conference

ConferenceXXXV Encontro Nacional da Associação Portuguesa de Linguística
CountryPortugal
CityBraga
Period9/10/1911/10/19

Keywords

  • padrões linguísticos
  • femicídio
  • imprensa portuguesa
  • texto
  • léxico

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