Abstract
Em 1660, no final de uma carta escrita em Pequim ao seu superior, o jesuíta Gabriel de Magalhães enaltecia o trabalho missionário da Companhia de Jesus in hoc prava nationis (“nesta nação perversa”). Mais do que uma mera observação pejorativa acerca da China e dos seus habitantes, a expressão denotava um juízo muito concreto e definido, por estar habitualmente reservada para designar os judeus. A frase contrasta com o tom invariavelmente elogioso com que os jesuítas – entre eles o próprio Magalhães – descreviam a opulência e abundância do reino da China, a grandeza das suas cidades ou a complexidade da sua ordem social e política. De facto, até ao século XVIII – na verdade, até à Revolução Industrial –, a Europa viveu fascinada pela magnificência das civilizações asiáticas, e da China em particular, com a sua ordem social, a complexidade das suas instituições ou o seu sistema judicial, ao mesmo tempo que alimentava o imaginário europeu de um repositório inesgotável de riquezas e produtos de luxo.
| Original language | Portuguese |
|---|---|
| Title of host publication | Percepções Europeias da China dos séculos XVI a XVIII |
| Subtitle of host publication | Ideias e imagens na origem da moderna sinologia |
| Editors | Francisco Roque de Oliveira |
| Place of Publication | Lisboa |
| Publisher | Centro Estudos Geográficos (CEG) | Palácio Nacional de Mafra |
| Pages | 93-110 |
| Number of pages | 18 |
| ISBN (Print) | 9789726362630 |
| Publication status | Published - 2017 |
Keywords
- Overseas Chinese
- Southeast Asia
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