O que esconde a tinta ferrogálica usada em manuscritos portugueses dos séculos XVI e XVII?

Ana Luísa do Vale Fonseca Claro, Margarida Nunes, Teresa Ferreira

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Abstract

A utilização de tinta ferrogálica data do início da Idade Medieval e estende-se até ao século XIX, popularizando-se pela facilidade com que era produzida e pela sua durabilidade e insolubilidade em água (Rouchon et al., 2011). A produção deste tipo de tinta seguia receitas bem denidas que incluíam água ou vinho, taninos provenientes de noz-de-galha e um sal contendo ferro (vitríolo), muitas vezes combinado com sulfato de cobre ou sais de outros metais (Strilic et al., 2006). A tinta assim obtida era depois dispersa em gomaarábica ou noutro polissacárido para mais fácil utilização. Dadas as suas características, a tinta ferrogálica foi utilizada para redigir praticamente todos os documentos do mundo ocidental até aos nais da idade moderna. Porém, este património encontra-se atualmente ameaçado pela presença da própria tinta, a qual promove a degradação dos suportes celulósicos onde foi utilizada através de reações de oxidação e de hidrólise ácida (Kolar & Strilic, 2006). Descoloração, enfraquecimento e perda de propriedades mecânicas dos suportes são alguns dos danos mais frequentemente observados, sendo urgente desenhar metodologias conservativas ecazes que minimizem ou eliminem estes efeitos devastadores. De facto, até ao momento não foi ainda encontrada uma metodologia ecaz para a estabilização química dos fenómenos atrás referidos, pelo que os processos de degradação continuam ativos nos arquivos e bibliotecas do mundo inteiro. Neste trabalho pretende-se contextualizar a produção de tinta ferrogálica de acordo com algumas fontes históricas conhecidas, fazer um state-of-the-art sobre o conhecimento das questões químicas associadas ao processo de produção de tinta e malefícios relacionados e apresentar e discutir resultados obtidos no estudo analítico de fragmentos de manuscritos dos séculos XVI e XVII das Inquisições de Évora e de Coimbra e do Convento da Ordem de Cristo (Tomar). Como técnicas de caracterização, utilizaram-se a microscopia ótica, a microscopia eletrónica de varrimento acoplada a espectroscopia de raios-X (VP-SEM/EDS) e espectroscopia no Infravermelho com transformada de Fourier com reetância total atenuada (FT-IR-ATR) que permitiram obter interessante informação morfológica e química sobre as tintas usadas nos documentos em estudo.
Original languagePortuguese
Pages54-55
Number of pages2
Publication statusPublished - 2019
EventIII Congresso Luso-Extremadurense de Ciências e Tecnologia - olégio Luís António Verney - Universidade de Évora, Évora, Portugal
Duration: 25 Nov 201926 Nov 2019
Conference number: 3
https://www.ect.uevora.pt/informacoes/agenda/(item)/27864

Conference

ConferenceIII Congresso Luso-Extremadurense de Ciências e Tecnologia
CountryPortugal
CityÉvora
Period25/11/1926/11/19
Internet address

Keywords

  • técnicas de caracterização
  • questões conservativas
  • tinta ferrogálica,
  • processos de degradação

Cite this

Claro, A. L. D. V. F., Nunes, M., & Ferreira, T. (2019). O que esconde a tinta ferrogálica usada em manuscritos portugueses dos séculos XVI e XVII?. 54-55. Abstract from III Congresso Luso-Extremadurense de Ciências e Tecnologia, Évora, Portugal.