O papel da música na representação de poder da monarquia quinhentista portuguesa:

a partida e a viagem de D. Maria, Princesa das Astúrias.

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Abstract

A festa, enquanto campo de investigação vasto e multidisciplinar, seja ela profana ou religiosa, colectiva ou individual, privada ou pública, é uma realidade complexa do ponto de vista da diversidade da sua composição (saraus, danças, fogo-de-artifício, peças de teatro, jogos diversos, etc.) e dos seus significados e funções inscritos num tempo, numa sociedade e num espaço definidos.
Observando as festas da realeza portuguesa, e mais concretamente as comemorações públicas quinhentistas (entradas triunfais dos reis e vice-reis, casamentos régios, partidas de infantas e princesas, entronizações de monarcas, funerais e trasladações de corpos régios), as quais constituem, como observa Ana Isabel Buescu, um elemento fundamental no âmbito das práticas rituais e comemorativas, na encenação dos poderes e nos próprios mecanismos de comunicação política dos governantes, é possível constatar que uma das componentes constantes desses eventos é a música.
Nesta comunicação procura-se entender o papel da música na representação do poder monárquico (e dinástico) a partir de um evento de crucial importância política no reinado de D. João III e de D. Catarina de Áustria: a partida e a viagem de Lisboa para Salamanca, a 9 de Outubro de 1543, de D. Maria (1527-1545), princesa das Astúrias, aquando do seu consórcio com D. Filipe, príncipe das Astúrias.
A partir da análise do Diario da jornada da Infanta D. Maria Princeza das Asturias [...], de D. Fernando de Meneses e Vasconcelos, arcebispo de Lisboa, que acompanhou a princesa, transcrito por D. António Caetano de Sousa, serão evidenciadas as referências aos eventos musicais vivenciados pela princesa — considerando as circunstâncias dos momentos musicais, os locais, os momentos das intervenções, os indícios das práticas em si, os “actores”, as sociabilidades associadas e o significado da intervenção musical — a fim de conhecer os usos e funções da música na representação do poder régio.
Original languagePortuguese
Pages50-51
Number of pages2
Publication statusPublished - 8 Nov 2018
EventVIII ENIM: Encontro de Investigação em Música - Escola Superior de Educação do Porto, Porto, Portugal
Duration: 8 Nov 201810 Nov 2018
Conference number: VIII
http://www.spimusica.pt/

Conference

ConferenceVIII ENIM
Abbreviated titleENIM
CountryPortugal
CityPorto
Period8/11/1810/11/18
Internet address

Keywords

  • Época Moderna
  • Poder
  • Monarquia
  • Princesa
  • Música

Cite this

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T1 - O papel da música na representação de poder da monarquia quinhentista portuguesa:

T2 - a partida e a viagem de D. Maria, Princesa das Astúrias.

AU - Oliveira, Manuela Morilleau de

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PY - 2018/11/8

Y1 - 2018/11/8

N2 - A festa, enquanto campo de investigação vasto e multidisciplinar, seja ela profana ou religiosa, colectiva ou individual, privada ou pública, é uma realidade complexa do ponto de vista da diversidade da sua composição (saraus, danças, fogo-de-artifício, peças de teatro, jogos diversos, etc.) e dos seus significados e funções inscritos num tempo, numa sociedade e num espaço definidos.Observando as festas da realeza portuguesa, e mais concretamente as comemorações públicas quinhentistas (entradas triunfais dos reis e vice-reis, casamentos régios, partidas de infantas e princesas, entronizações de monarcas, funerais e trasladações de corpos régios), as quais constituem, como observa Ana Isabel Buescu, um elemento fundamental no âmbito das práticas rituais e comemorativas, na encenação dos poderes e nos próprios mecanismos de comunicação política dos governantes, é possível constatar que uma das componentes constantes desses eventos é a música. Nesta comunicação procura-se entender o papel da música na representação do poder monárquico (e dinástico) a partir de um evento de crucial importância política no reinado de D. João III e de D. Catarina de Áustria: a partida e a viagem de Lisboa para Salamanca, a 9 de Outubro de 1543, de D. Maria (1527-1545), princesa das Astúrias, aquando do seu consórcio com D. Filipe, príncipe das Astúrias. A partir da análise do Diario da jornada da Infanta D. Maria Princeza das Asturias [...], de D. Fernando de Meneses e Vasconcelos, arcebispo de Lisboa, que acompanhou a princesa, transcrito por D. António Caetano de Sousa, serão evidenciadas as referências aos eventos musicais vivenciados pela princesa — considerando as circunstâncias dos momentos musicais, os locais, os momentos das intervenções, os indícios das práticas em si, os “actores”, as sociabilidades associadas e o significado da intervenção musical — a fim de conhecer os usos e funções da música na representação do poder régio.

AB - A festa, enquanto campo de investigação vasto e multidisciplinar, seja ela profana ou religiosa, colectiva ou individual, privada ou pública, é uma realidade complexa do ponto de vista da diversidade da sua composição (saraus, danças, fogo-de-artifício, peças de teatro, jogos diversos, etc.) e dos seus significados e funções inscritos num tempo, numa sociedade e num espaço definidos.Observando as festas da realeza portuguesa, e mais concretamente as comemorações públicas quinhentistas (entradas triunfais dos reis e vice-reis, casamentos régios, partidas de infantas e princesas, entronizações de monarcas, funerais e trasladações de corpos régios), as quais constituem, como observa Ana Isabel Buescu, um elemento fundamental no âmbito das práticas rituais e comemorativas, na encenação dos poderes e nos próprios mecanismos de comunicação política dos governantes, é possível constatar que uma das componentes constantes desses eventos é a música. Nesta comunicação procura-se entender o papel da música na representação do poder monárquico (e dinástico) a partir de um evento de crucial importância política no reinado de D. João III e de D. Catarina de Áustria: a partida e a viagem de Lisboa para Salamanca, a 9 de Outubro de 1543, de D. Maria (1527-1545), princesa das Astúrias, aquando do seu consórcio com D. Filipe, príncipe das Astúrias. A partir da análise do Diario da jornada da Infanta D. Maria Princeza das Asturias [...], de D. Fernando de Meneses e Vasconcelos, arcebispo de Lisboa, que acompanhou a princesa, transcrito por D. António Caetano de Sousa, serão evidenciadas as referências aos eventos musicais vivenciados pela princesa — considerando as circunstâncias dos momentos musicais, os locais, os momentos das intervenções, os indícios das práticas em si, os “actores”, as sociabilidades associadas e o significado da intervenção musical — a fim de conhecer os usos e funções da música na representação do poder régio.

KW - Época Moderna

KW - Poder

KW - Monarquia

KW - Princesa

KW - Música

M3 - Abstract

SP - 50

EP - 51

ER -