Nascer ‘só com o génio em terra em que o génio, nem é riqueza, nem dá honra”

a defesa do músico nacional e as ameaças vindas do estrangeiro na Lisboa do século XIX

Research output: Contribution to conferenceAbstract

Abstract

A vida musical oitocentista da capital portuguesa olha com admiração para, e depende em grande parte dos modelos estrangeiros, o que determina frequentemente a coexistência de atitudes que parecem à primeira vista contraditórias: a atracção pelo que é estrangeiro, que as vezes se configura como uma verdadeira ‘xenofilia’, e um certo quanto genérico ‘nacionalismo’, favorecido de vez em vez pelo clima e pela retórica desencadeada pelas diversas contingencias histórico-políticas do tempo. A atracção pelo que é estrangeiro, sustentada pela difusa convicção dos atrasos do Pais e pelo desejo de colmata-los, parece determinar uma espécie de culto da ‘modernidade’ que, se o mais frequentemente se concretiza na tentativa de importar rapidamente as principais modas europeias, algumas vezes se reflecte também na tentativa de realizar mais substanciosos projectos culturais (como, por exemplo, a criação de uma ópera lírica em português) que, todavia, não conseguirão ter êxito duradouro por causa das características específicas do contexto lisboeta.
Da mesma forma a segunda atitude parece corresponder, muitas vezes, e mesmo nos discursos de natureza especificamente musical, à defesa tout court do “portuguesismo” como valor em si mesmo, o qual vem por vezes à baila como extrema ratio em defesa dos músicos portugueses. Todavia a classe dos músicos lisboetas, guiada por João Alberto Rodrigues Costa, será capaz de utilizar, para seu própria vantagem, esse difundido sentimento patriótico-nacionalista para defender, através da seu peculiar e radical corporativismo, os interesses dos músicos da capital, embora estes, como, demonstrem inequivocamente os seus apelidos, fossem na esmagadora maioria de origem estrangeira.
Original languagePortuguese
Pages1
Number of pages1
Publication statusPublished - 2018
EventVirtuosidade e Nação: colóquio em homenagem a José Viana da Mota (1868-1948) - Biblioteca Nacional de Portugal, Lisbon, Portugal
Duration: 26 Oct 201827 Oct 2018

Conference

ConferenceVirtuosidade e Nação: colóquio em homenagem a José Viana da Mota (1868-1948)
CountryPortugal
CityLisbon
Period26/10/1827/10/18

Keywords

  • Génio
  • Vida musical oitocentista
  • nacionalismo
  • Lisboa
  • século XIX
  • músico nacional

Cite this

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Esposito, F 2018, 'Nascer ‘só com o génio em terra em que o génio, nem é riqueza, nem dá honra”: a defesa do músico nacional e as ameaças vindas do estrangeiro na Lisboa do século XIX' Virtuosidade e Nação: colóquio em homenagem a José Viana da Mota (1868-1948), Lisbon, Portugal, 26/10/18 - 27/10/18, pp. 1.

Nascer ‘só com o génio em terra em que o génio, nem é riqueza, nem dá honra” : a defesa do músico nacional e as ameaças vindas do estrangeiro na Lisboa do século XIX. / Esposito, Francesco.

2018. 1 Abstract from Virtuosidade e Nação: colóquio em homenagem a José Viana da Mota (1868-1948), Lisbon, Portugal.

Research output: Contribution to conferenceAbstract

TY - CONF

T1 - Nascer ‘só com o génio em terra em que o génio, nem é riqueza, nem dá honra”

T2 - a defesa do músico nacional e as ameaças vindas do estrangeiro na Lisboa do século XIX

AU - Esposito, Francesco

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Y1 - 2018

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AB - A vida musical oitocentista da capital portuguesa olha com admiração para, e depende em grande parte dos modelos estrangeiros, o que determina frequentemente a coexistência de atitudes que parecem à primeira vista contraditórias: a atracção pelo que é estrangeiro, que as vezes se configura como uma verdadeira ‘xenofilia’, e um certo quanto genérico ‘nacionalismo’, favorecido de vez em vez pelo clima e pela retórica desencadeada pelas diversas contingencias histórico-políticas do tempo. A atracção pelo que é estrangeiro, sustentada pela difusa convicção dos atrasos do Pais e pelo desejo de colmata-los, parece determinar uma espécie de culto da ‘modernidade’ que, se o mais frequentemente se concretiza na tentativa de importar rapidamente as principais modas europeias, algumas vezes se reflecte também na tentativa de realizar mais substanciosos projectos culturais (como, por exemplo, a criação de uma ópera lírica em português) que, todavia, não conseguirão ter êxito duradouro por causa das características específicas do contexto lisboeta.Da mesma forma a segunda atitude parece corresponder, muitas vezes, e mesmo nos discursos de natureza especificamente musical, à defesa tout court do “portuguesismo” como valor em si mesmo, o qual vem por vezes à baila como extrema ratio em defesa dos músicos portugueses. Todavia a classe dos músicos lisboetas, guiada por João Alberto Rodrigues Costa, será capaz de utilizar, para seu própria vantagem, esse difundido sentimento patriótico-nacionalista para defender, através da seu peculiar e radical corporativismo, os interesses dos músicos da capital, embora estes, como, demonstrem inequivocamente os seus apelidos, fossem na esmagadora maioria de origem estrangeira.

KW - Génio

KW - Vida musical oitocentista

KW - nacionalismo

KW - Lisboa

KW - século XIX

KW - músico nacional

M3 - Abstract

SP - 1

ER -