Abstract
Para além de pluralizar os olhares críticos sobre o passado colonial e os seus legados no presente, rompendo silêncios hegemónicos, as obras literárias de autoras portuguesas afrodescendentes têm introduzido perspetivas interseccionais sobre as (pós-)memórias sobre o passado colonial que se construíram nos trânsitos atlânticos, particularmente entre Portugal e Angola. O presente artigo explora uma leitura comparativa de Os Pretos de Pousaflores (2011), de Aida Gomes, e Essa Dama Bate Bué! (2018), de Yara Monteiro, narrativas que articulam a violência de género como um continuum silenciado de histórias intergeracionais de mulheres que atravessa o passado colonial, as lutas de libertação em Angola até ao presente. À luz de estudos de Lionnet (1999) e Kalisa (2009) sobre representação de histórias de violência de género, argumenta-se que as mulheres são representadas como sujeitos insubmissos e agenciadores, que desafiam a retórica patriarcal. Contar histórias torna-se um mecanismo para superar a violência silenciada. Argumenta-se igualmente que a figura de mulher constitui uma metáfora pós-colonial que desafia as representações patriarcais da maternidade que nem a retórica da libertação angolana superou.
| Original language | Portuguese |
|---|---|
| Pages (from-to) | 118-134 |
| Number of pages | 16 |
| Journal | Compendium: Journal of Comparative Studies | Revista De Estudos Comparatistas |
| Issue number | 5 |
| DOIs | |
| Publication status | Published - 28 Jun 2024 |
Keywords
- Violência de género
- Narrativas afropeias
- Mulher
- Maternidade
- Reparação
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