Memórias de pedra na Galiza e no norte de Portugal

usos do passado e o lugar do devir

Research output: Chapter in Book/Report/Conference proceedingConference contribution

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Abstract

A guerra civil espanhola (1936-1939) foi um momento liminar, que alterou (e suprimiu) inúmeras vidas. Devido às características inerentes ao processo político — longa ditadura (1936-1975) e transição pactuada, que impediu o confronto dos campos políticos e que tornou irrecuperável a memória dos vencidos — prolongou o momento de crise, atrasando a desprivatização de memórias. Esta longa liminaridade provocada pela guerra, como facto anti-social total, viria a ter vários momentos de remate, encerrando esse longo intervalo no tempo, que estabeleceu uma fronteira entre um antes e um depois na vida individual e coletiva. Nesta comunicação indago três momentos de evocação de passados tremendos, associados à aposição de placas evocativas que pretendem deixar constância de acontecimentos dramáticos e de vidas interrompidas. Pretendo interpelar os usos públicos do passado a partir de situações que contrariam os silêncios e omissões continuadas, e que não são consensuais: (1) a placa colocada em Dezembro de 1996 na aldeia transmontana de Cambedo da Raia; (2) a homenagem em Ourense e em Monção, com inauguração de um monumento com o nome das vítimas portuguesas do franquismo na Galiza, em Maio de 2012; (3) o descerramento, em Junho de 2012, de uma placa de homenagem a três trabalhadores portugueses que construíam o caminho-de-ferro entre Zamora e Ourense e que foram assassinados em 1936.
Original languagePortuguese
Title of host publicationViolência política no século XX
Subtitle of host publicationUm balanço
EditorsAna Sofia Ferreira , João Madeira , Pau Casanellas
Place of PublicationLisboa
PublisherIHC-Instituto de História Contemporânea
Pages70-81
Number of pages12
ISBN (Print)978-989-98388-3-3
Publication statusPublished - 2017
EventI Colóquio Internacional sobre Violência Política no Século XX - Lisboa, Portugal
Duration: 12 Mar 201514 Mar 2015

Conference

ConferenceI Colóquio Internacional sobre Violência Política no Século XX
CountryPortugal
CityLisboa
Period12/03/1514/03/15

Keywords

  • Galiza
  • Norte de Portugal
  • Memória
  • Usos públicos do passado
  • Cambedo da Raia
  • Ourense
  • Monção
  • Franquismo
  • Campobecerros
  • Portocamba

Cite this

Godinho, P. C. A. (2017). Memórias de pedra na Galiza e no norte de Portugal: usos do passado e o lugar do devir. In A. S. Ferreira , J. Madeira , & P. Casanellas (Eds.), Violência política no século XX: Um balanço (pp. 70-81). Lisboa: IHC-Instituto de História Contemporânea.
Godinho, Paula Cristina Antunes. / Memórias de pedra na Galiza e no norte de Portugal : usos do passado e o lugar do devir. Violência política no século XX: Um balanço . editor / Ana Sofia Ferreira ; João Madeira ; Pau Casanellas . Lisboa : IHC-Instituto de História Contemporânea, 2017. pp. 70-81
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Godinho, PCA 2017, Memórias de pedra na Galiza e no norte de Portugal: usos do passado e o lugar do devir. in AS Ferreira , J Madeira & P Casanellas (eds), Violência política no século XX: Um balanço . IHC-Instituto de História Contemporânea, Lisboa, pp. 70-81, I Colóquio Internacional sobre Violência Política no Século XX, Lisboa, Portugal, 12/03/15.

Memórias de pedra na Galiza e no norte de Portugal : usos do passado e o lugar do devir. / Godinho, Paula Cristina Antunes.

Violência política no século XX: Um balanço . ed. / Ana Sofia Ferreira ; João Madeira ; Pau Casanellas . Lisboa : IHC-Instituto de História Contemporânea, 2017. p. 70-81.

Research output: Chapter in Book/Report/Conference proceedingConference contribution

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T1 - Memórias de pedra na Galiza e no norte de Portugal

T2 - usos do passado e o lugar do devir

AU - Godinho, Paula Cristina Antunes

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N2 - A guerra civil espanhola (1936-1939) foi um momento liminar, que alterou (e suprimiu) inúmeras vidas. Devido às características inerentes ao processo político — longa ditadura (1936-1975) e transição pactuada, que impediu o confronto dos campos políticos e que tornou irrecuperável a memória dos vencidos — prolongou o momento de crise, atrasando a desprivatização de memórias. Esta longa liminaridade provocada pela guerra, como facto anti-social total, viria a ter vários momentos de remate, encerrando esse longo intervalo no tempo, que estabeleceu uma fronteira entre um antes e um depois na vida individual e coletiva. Nesta comunicação indago três momentos de evocação de passados tremendos, associados à aposição de placas evocativas que pretendem deixar constância de acontecimentos dramáticos e de vidas interrompidas. Pretendo interpelar os usos públicos do passado a partir de situações que contrariam os silêncios e omissões continuadas, e que não são consensuais: (1) a placa colocada em Dezembro de 1996 na aldeia transmontana de Cambedo da Raia; (2) a homenagem em Ourense e em Monção, com inauguração de um monumento com o nome das vítimas portuguesas do franquismo na Galiza, em Maio de 2012; (3) o descerramento, em Junho de 2012, de uma placa de homenagem a três trabalhadores portugueses que construíam o caminho-de-ferro entre Zamora e Ourense e que foram assassinados em 1936.

AB - A guerra civil espanhola (1936-1939) foi um momento liminar, que alterou (e suprimiu) inúmeras vidas. Devido às características inerentes ao processo político — longa ditadura (1936-1975) e transição pactuada, que impediu o confronto dos campos políticos e que tornou irrecuperável a memória dos vencidos — prolongou o momento de crise, atrasando a desprivatização de memórias. Esta longa liminaridade provocada pela guerra, como facto anti-social total, viria a ter vários momentos de remate, encerrando esse longo intervalo no tempo, que estabeleceu uma fronteira entre um antes e um depois na vida individual e coletiva. Nesta comunicação indago três momentos de evocação de passados tremendos, associados à aposição de placas evocativas que pretendem deixar constância de acontecimentos dramáticos e de vidas interrompidas. Pretendo interpelar os usos públicos do passado a partir de situações que contrariam os silêncios e omissões continuadas, e que não são consensuais: (1) a placa colocada em Dezembro de 1996 na aldeia transmontana de Cambedo da Raia; (2) a homenagem em Ourense e em Monção, com inauguração de um monumento com o nome das vítimas portuguesas do franquismo na Galiza, em Maio de 2012; (3) o descerramento, em Junho de 2012, de uma placa de homenagem a três trabalhadores portugueses que construíam o caminho-de-ferro entre Zamora e Ourense e que foram assassinados em 1936.

KW - Galiza

KW - Norte de Portugal

KW - Memória

KW - Usos públicos do passado

KW - Cambedo da Raia

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M3 - Conference contribution

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SP - 70

EP - 81

BT - Violência política no século XX

A2 - Ferreira , Ana Sofia

A2 - Madeira , João

A2 - Casanellas , Pau

PB - IHC-Instituto de História Contemporânea

CY - Lisboa

ER -

Godinho PCA. Memórias de pedra na Galiza e no norte de Portugal: usos do passado e o lugar do devir. In Ferreira AS, Madeira J, Casanellas P, editors, Violência política no século XX: Um balanço . Lisboa: IHC-Instituto de História Contemporânea. 2017. p. 70-81