Invicta Film, música e cinema mudo "tipicamente português

sobre os filmes A Rosa do Adro (1919) e Os Fidalgos da Casa Mourisca (1921)

Research output: Contribution to conferenceAbstract

Abstract

Com maior actividade entre 1918 e 1925, as produtoras então fundadas em Lisboa e no Porto foram centrais para o início de uma cinematografia nacional que arrancava com um investimento significativo em longas-metragens de ficção, categorizado à época como cinema “tipicamente português”. Este cinema contemplava um conjunto de características que passavam pela adaptação de romances portugueses oitocentistas e contemporâneos, pela incorporação de paisagens, monumentos e tradições da cultura nacional, e pelo recurso a actores e actrizes já conhecidos do universo do teatro. Esta opção nacionalizante cumpria o duplo propósito de, por um lado, distinguir a cinematografia portuguesa de outras cinematografias nacionais que então emergiam na Europa e, por outro lado, de garantir a sua entrada nos mercados nacional e internacional ao mesmo tempo que fazia propaganda do país no estrangeiro. Deste modo, a autonomia cultural e estética visava também uma autonomia económica, opção proteccionista que não se encerrava na circulação nacional, mas que tinha como meta a internacionalização dos filmes. A pioneira das longas-metragens de ficção “tipicamente portuguesas” foi a produtora portuense Invicta Film que, para além de estabelecer as normas estéticas que nortearam o cinema mudo nacional, incluiu nessas normas a encomenda de música composta para as longas-metragens. Nesse contexto, iniciou-se o trabalho com Armando Leça que, enquanto folclorista e compositor, seria fundamental na concepção da categoria “tipicamente português” para o sector da música. A partir das partituras para os filmes A Rosa do Adro (1919) e Os Fidalgos da Casa Mourisca (1921), as primeiras longas-metragens de ficção da Invicta Film, realizadas por Georges Pallu com música de Armando Leça, propõe-se discutir a relação entre os filmes e a música para si composta, situando este gesto na realidade das exibições nas salas de cinema, dominadas internacionalmente por compilações de música pré-existente.
Original languagePortuguese
Pages20
Number of pages1
Publication statusPublished - 2018
EventVIII ENIM: Encontro de Investigação em Música - Escola Superior de Educação do Porto, Porto, Portugal
Duration: 8 Nov 201810 Nov 2018
Conference number: VIII
http://www.spimusica.pt/

Conference

ConferenceVIII ENIM
Abbreviated titleENIM
CountryPortugal
CityPorto
Period8/11/1810/11/18
Internet address

Keywords

  • Música portuguesa
  • Invicta Film
  • A Rosa do Adro
  • Os Fidalgos da Casa Mourisca
  • Film Music Studies

Cite this

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Invicta Film, música e cinema mudo "tipicamente português : sobre os filmes A Rosa do Adro (1919) e Os Fidalgos da Casa Mourisca (1921). / Carvalho, Bárbara.

2018. 20 Abstract from VIII ENIM, Porto, Portugal.

Research output: Contribution to conferenceAbstract

TY - CONF

T1 - Invicta Film, música e cinema mudo "tipicamente português

T2 - sobre os filmes A Rosa do Adro (1919) e Os Fidalgos da Casa Mourisca (1921)

AU - Carvalho, Bárbara

N1 - info:eu-repo/grantAgreement/FCT/5876/147237/PT# UID/EAT/00693/2013

PY - 2018

Y1 - 2018

N2 - Com maior actividade entre 1918 e 1925, as produtoras então fundadas em Lisboa e no Porto foram centrais para o início de uma cinematografia nacional que arrancava com um investimento significativo em longas-metragens de ficção, categorizado à época como cinema “tipicamente português”. Este cinema contemplava um conjunto de características que passavam pela adaptação de romances portugueses oitocentistas e contemporâneos, pela incorporação de paisagens, monumentos e tradições da cultura nacional, e pelo recurso a actores e actrizes já conhecidos do universo do teatro. Esta opção nacionalizante cumpria o duplo propósito de, por um lado, distinguir a cinematografia portuguesa de outras cinematografias nacionais que então emergiam na Europa e, por outro lado, de garantir a sua entrada nos mercados nacional e internacional ao mesmo tempo que fazia propaganda do país no estrangeiro. Deste modo, a autonomia cultural e estética visava também uma autonomia económica, opção proteccionista que não se encerrava na circulação nacional, mas que tinha como meta a internacionalização dos filmes. A pioneira das longas-metragens de ficção “tipicamente portuguesas” foi a produtora portuense Invicta Film que, para além de estabelecer as normas estéticas que nortearam o cinema mudo nacional, incluiu nessas normas a encomenda de música composta para as longas-metragens. Nesse contexto, iniciou-se o trabalho com Armando Leça que, enquanto folclorista e compositor, seria fundamental na concepção da categoria “tipicamente português” para o sector da música. A partir das partituras para os filmes A Rosa do Adro (1919) e Os Fidalgos da Casa Mourisca (1921), as primeiras longas-metragens de ficção da Invicta Film, realizadas por Georges Pallu com música de Armando Leça, propõe-se discutir a relação entre os filmes e a música para si composta, situando este gesto na realidade das exibições nas salas de cinema, dominadas internacionalmente por compilações de música pré-existente.

AB - Com maior actividade entre 1918 e 1925, as produtoras então fundadas em Lisboa e no Porto foram centrais para o início de uma cinematografia nacional que arrancava com um investimento significativo em longas-metragens de ficção, categorizado à época como cinema “tipicamente português”. Este cinema contemplava um conjunto de características que passavam pela adaptação de romances portugueses oitocentistas e contemporâneos, pela incorporação de paisagens, monumentos e tradições da cultura nacional, e pelo recurso a actores e actrizes já conhecidos do universo do teatro. Esta opção nacionalizante cumpria o duplo propósito de, por um lado, distinguir a cinematografia portuguesa de outras cinematografias nacionais que então emergiam na Europa e, por outro lado, de garantir a sua entrada nos mercados nacional e internacional ao mesmo tempo que fazia propaganda do país no estrangeiro. Deste modo, a autonomia cultural e estética visava também uma autonomia económica, opção proteccionista que não se encerrava na circulação nacional, mas que tinha como meta a internacionalização dos filmes. A pioneira das longas-metragens de ficção “tipicamente portuguesas” foi a produtora portuense Invicta Film que, para além de estabelecer as normas estéticas que nortearam o cinema mudo nacional, incluiu nessas normas a encomenda de música composta para as longas-metragens. Nesse contexto, iniciou-se o trabalho com Armando Leça que, enquanto folclorista e compositor, seria fundamental na concepção da categoria “tipicamente português” para o sector da música. A partir das partituras para os filmes A Rosa do Adro (1919) e Os Fidalgos da Casa Mourisca (1921), as primeiras longas-metragens de ficção da Invicta Film, realizadas por Georges Pallu com música de Armando Leça, propõe-se discutir a relação entre os filmes e a música para si composta, situando este gesto na realidade das exibições nas salas de cinema, dominadas internacionalmente por compilações de música pré-existente.

KW - Música portuguesa

KW - Invicta Film

KW - A Rosa do Adro

KW - Os Fidalgos da Casa Mourisca

KW - Film Music Studies

M3 - Abstract

SP - 20

ER -