Introdução: Dossier Religião e alteridade no mundo ibérico

Bruno Guilherme Feitler, Hugo Ribeiro da Silva, Jaime Gouveia

Research output: Contribution to journalSpecial issue

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Abstract

A «alteridade», conceito que serve de ponto de partida a este dossier, é aqui entendida como uma ideia genérica derivada da noção de «o outro», alguém que não pertence ao grupo. Alfred Schütz designou tal pessoa como «um estranho», alguém que não faz parte dos padrões culturais de uma determinada sociedade. Ou seja, o fenómeno de alteridade envolve duas ou mais partes que não partilham os mesmos sistemas culturais de referência. Muitas vezes ela implica exclusão e rejeição, mas ao mesmo tempo é parte integrante da construção das identidades individuais e autoconsciência do grupo. Convém, porém, sublinhar que as diferenças culturais podem ser estudadas não só entre sociedades diferentes, mas também no âmbito de uma mesma sociedade. O «estranho» pode estar em qualquer lugar e interagir com outra cultura de fora ou de dentro. O que importa é a existência de diferença e interação.
A religião é um campo particularmente interessante para estudar relações interculturais, dado que as normas e valores religiosos são muitas vezes (ou sempre) prescritivos e absolutos. Considerar a interação entre indivíduos de diferentes crenças religiosas permite-nos analisar de que modo a ideia de «diferença» se articula com as noções de «identidade» e «alteridade».
Original languagePortuguese
Pages (from-to)11-19
Number of pages9
JournalAnais de História de Além-Mar
Volume17
Publication statusPublished - 2016

Keywords

  • Alteridade
  • Religião
  • transculturação
  • Mundo luso-hispânico
  • Impérios ibéricos
  • Época Moderna

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