História de uma Baleia Branca: a voz do silêncio

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Abstract

Privados do dom da palavra articulada, os animais foram, desde sempre, vítimas
do seu enigmático silêncio. Foi-lhes concedida voz humana em fábulas, mitos e outros textos nos quais, apareciam como símbolos representativos do homem e da sociedade, ou seja, despojados da sua essência vital. No entanto, nas últimas décadas, os escritores têm multiplicado as tentativas de encenar, por procuração ficcional, novas formas de interação com o animal, cada vez mais visto e escrito, não como simples constructo teórico-ficcional, mas antes como sujeito dotado de uma subjetividade própria e capaz de um olhar interrogante e judicativo sobre o homem. É, precisamente, o que faz Luis Sepúlveda em A história de uma baleia branca (2019), ao dar voz a Mocha Dick, imponente cachalote da cor da lua, numa revisitação original e subversiva do clássico MobyDick, de Herman Melville. No seu ensurdecedor silêncio, a baleia de Sepúlveda narra, do seu próprio ponto de vista, o seu confronto épico e dantesco com o homem, denunciando a violência do ser humano e a sua ação devastadora sobre o meio ambiente.
Original languagePortuguese
Pages (from-to)1-14
Number of pages14
JournalRevista Dobra. Pensar com as Artes
Issue number7
Publication statusPublished - Jan 2021

Keywords

  • Animal
  • Humano
  • Silêncio
  • Luis Sepúlveda
  • Herman Melville
  • Mocha
  • Moby-Dick

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