Géneros (e tipos) textuais: concetualizações do 1.º e 2.º Ciclos do Ensino Básico

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Abstract

Os géneros de texto têm tido uma importância crescente nos documentos curriculares que regem o ensino do Português. No entanto, são escassos os estudos que demonstram até que ponto os diferentes géneros de texto ensinados são efetivamente aprendidos por parte dos alunos do 1.º e do 2.º Ciclos do Ensino Básico. Com que formatos textuais os alunos destes ciclos de escolaridade estão mais aptos trabalhar – tipos ou géneros de textos? Os alunos possuem conhecimento (meta)linguístico sobre tipos e géneros ou produzem-nos “intuitivamente”?
Com o objetivo refletir sobre tais questões, pretende-se, nesta comunicação, dar a conhecer as concetualizações que os estudantes do 1.º e do 2.º ciclos de Ensino Básico têm dos diferentes géneros de texto – modelos adotados pelos textos e adaptados de acordo com as circunstâncias em que são produzidos (Bronckart, 1997) – e tipos de texto (estruturas textuais fixas – nomeadamente narrativa, descritiva, dialogal, explicativa, argumentativa – Adam, 1992).
Para o efeito constituiu-se um corpus com cerca de cem textos, produzidos por alunos (do 2.º ao 6.º ano), na primeira semana de aulas do ano letivo 2019-2020. As produções escritas foram solicitadas por um enunciado instrucional (cf. Anexo 1).
Enquadrada concetual e metodologicamente pelo Interacionismo Sociodiscursivo (Bronckart, 1997; Broncart 2008) e tendo como foco a infraestrutura geral dos textos, a análise textual apresentou um cunho qualitativo e interpretativo. Duas foram as conclusões preliminares a que se chegou: I) grande parte dos alunos elegeu o texto narrativo como formato a produzir, estruturando-o satisfatoriamente em três partes (situação inicial, peripécias, desfecho), atitude que se deverá quer à preponderância que os “textos narrativos naturais” assumem “na interação da vida quotidiana e normal” (Aguiar e Silva, 1996, p. 598) e nas práticas de produção escrita em contexto escolar, quer ao destaque que é dado ao contacto com “textos narrativos literários” (ibidem) no seio da instituição familiar e escolar; II) alguns alunos privilegiaram a produção de géneros de texto, não revelando, no entanto, um desempenho tão satisfatório quanto os primeiros. Isto leva-nos a concluir, na esteira de Coutinho (2013, 2019) ou de Miranda (2015), que, se há géneros cuja apropriação se faz informalmente, outros há que exigem um estudo formal e sistematizado.
Em suma, a análise do corpus revelou-nos que o género textual enquanto ferramenta de comunicação não é ainda suficientemente valorizado (ao contrário do tipo de texto), facto que se reflete nas lacunas estruturais relativamente a uma estrutura-modelo desejada. Daqui se conclui que há ainda um longo caminho a percorrer para que haja um efetivo domínio dos géneros de texto.
Original languagePortuguese
Pages73-76
Number of pages3
Publication statusPublished - 2019
EventEncontro Nacional Da formação linguística às práticas educativas na Educação de Infância e no Ensino Básico - Escola Superior de Educação do Politécnico do Porto, Porto, Portugal
Duration: 17 Dec 201918 Dec 2019
Conference number: I
https://enlinguistica.wixsite.com/ienfl2019

Conference

ConferenceEncontro Nacional Da formação linguística às práticas educativas na Educação de Infância e no Ensino Básico
Abbreviated titleENFL 2019
CountryPortugal
CityPorto
Period17/12/1918/12/19
Internet address

Keywords

  • escrita
  • género de texto
  • tipo de texto
  • conhecimento (meta)linguístico

Cite this

Ferreira, P., & Jorge, N. D. O. (2019). Géneros (e tipos) textuais: concetualizações do 1.º e 2.º Ciclos do Ensino Básico. 73-76. Abstract from Encontro Nacional Da formação linguística às práticas educativas na Educação de Infância e no Ensino Básico , Porto, Portugal.