Frederico de Freitas - Do fado à canção erudita: obras para voz e piano. Numérica 1246

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Abstract

FREDERICO DE FREITAS - Do fado à canção erudita: obras para voz e pianoIsabel Alcobia, soprano Helena Marinho, piano 1 Anunciação 03’02’’ (Sebastião da Gama) Quatro cantigas à gente moça (Maria Lopes de Oliveira) 2 I Que lindo estava o altar 00’54’’ 3 II Passo por ti não te vejo 01’13’’ 4 III Que admira que o Sol doire 01’58’’ 5 IV Tantos beijos te dei eu 00’57’’ 6 Faixinha verde 02’33’’ (canção transmontana) 7 Chora videira 02’15’’ (recolhida em Santo Tirso) 8 A última cantiga 01’25’’ (Afonso Lopes Vieira) 9 Boas noites 02’04’’ (João de Deus) Dois Sonetos de Luís de Camões 10 I Soneto XXIX 02’02’’ 11 II Soneto CCLXXI 03’01’’ Três canções de António Quadros 12 I Ramo de violetas 02’48’’ 13 II Muda é a noite 02’04’’ 14 III Límpido é o teu olhar 03’26’’15 Chuva de Setembro 02’06’’ (Eugénio de Castro) Seis canções trovadorescas 16 I “Ay! Louçana” 02’37’’ (D. Dinis)17 II “…E desde enton sempre penei” 03’48’’ (Pedro Anes Solaz)18 III “Par Deus, mia madre, irei” 02’56’’ (João Nunes Camanês)19 IV “Leda m’andeu” 03’32’’ (Nuno Fernandes Torneol)20 V “E sabor hei da ribeira” 03’31’’ (João Zorro)21 VI “Ay Deus, val!” 01’47’’ (Afonso Sanches) 22 Dona fea, velha e sandia 02’37’’ (João Garcia de Guilhade) 23 Amo, amas 01’42’’ (Rubén Darío) 24 Estabas triste 02’47’’ (Buendía Manzano) Das Dez canções galegas: 25 Amiga 02’49’’ (Jose Maria Alvarez Blasquez)26 Cantigas do vento 01’19’’ (Maria del Carmen Kruckenberg)27 Soledade 02’24’’ (Emilio Alvarez Blasquez)28 Cantiga da tecedeira 02’24’’ (Ramon Cabanillas) 29 Os anéis do teu cabelo 01’49’’ FREDERICO DE FREITAS - Do fado à canção erudita:Obras para voz e piano de Frederico de FreitasIsabel Alcobia, soprano Helena Marinho, piano Frederico de Freitas (1902-80) marcou a vida musical do séc. XX em Portugal pela sua posição multifacetada de compositor, maestro e ensaísta. Enquanto compositor, manifestou uma invulgar versatilidade ao enveredar, com manifesto sucesso, tanto pelo domínio da música erudita como da não erudita, nomeadamente música para teatro, revista, cinema, fado, e produções de bailado. A sua importância é confirmada pela persistência de determinadas obras no imaginário coletivo português, sendo também marcante a sua ligação à política cultural e à criação musical no período do Estado Novo.Frederico de Freitas iniciou os seus estudos musicais com a mãe, a pianista Elvira Guedes de Freitas, tendo ingressado no Conservatório Nacional aos 13 anos. Foi nesta instituição que teve lugar, em 1922, a primeira apresentação pública de uma obra do jovem compositor. Concluiu os seus estudos de composição em 1925, quando já lecionava a disciplina de canto coral. Entre o final da década de 1920 e a década de 1930, Frederico de Freitas continuou a dedicar-se à composição erudita, mas alcançou particular notoriedade como compositor para teatro de revista e cinema, sendo dele a autoria da música para o primeiro filme sonoro português, A Severa (1931). Foi também neste período que começou a dedicar-se à direção de orquestra, atividade que viria a ser também central na sua carreira, tendo estado associado até 1975 às orquestras da Emissora Nacional, com sucesso tanto nos palcos nacionais como nas diversas digressões que efetuou a vários países da Europa e América. Foi também neste contexto que promoveu a obra de vários compositores portugueses deste mesmo período. Enquanto compositor, foi marcante a sua produção sinfónica e de câmara, para além da colaboração com produções cénicas, entre as quais se destacam as composições para a companhia de bailado Verde Gaio e eventos promovidos pelo Secretariado da Propaganda Nacional / Secretariado Nacional de Informação. Compositor geralmente classificado como eclético, Frederico de Freitas evidenciou o seu domínio da composição em obras tão contrastantes como o Hino da Legião Portuguesa de 1937, a inspiração colonial da Suite Africana de 1938, o bailado sinfónico Nazaré de 1948, ou o serialismo do quinteto de sopros Pentafonia de 1975.O repertório para canto e piano assume grande importância na produção global de Frederico de Freitas tanto em quantidade como qualidade. Não sendo o género mais conhecido da obra do compositor, marcou a sua actividade criativa desde os primeiros tempos da carreira até ao final da vida.Poucas das canções de Frederico de Freitas foram objeto de edição musical, e as edições realizadas em vida do compositor estão hoje fora do mercado. O espólio do compositor, doado em 2011 à Universidade de Aveiro, integra variados e múltiplos exemplos de canções com piano. O estudo deste repertório está ainda numa fase preliminar, não estando ainda terminada a catalogação exaustiva, e não existem edições críticas das obras. Na ausência destas ferramentas, optou-se, para este CD, por uma seleção de exemplos representativos, recorrendo, sempre que possível, aos manuscritos originais e a confronto de autógrafos, ou a edições da época, presumivelmente supervisionadas pelo próprio compositor. As canções incluídas neste CD representam apenas uma fração das obras de Frederico de Freitas: para além de canções em estilo erudito para voz e piano, o espólio integra uma quantidade significativa de harmonizações e versões com piano de melodias tradicionais (ou assim mencionadas pelo compositor), existindo também muitos exemplos de versões com acompanhamento de piano de canções para revista, opereta ou cinema.A comparação entre os exemplos de canções com piano constantes do espólio de Frederico de Freitas permite, desde logo, a identificação de quatro tipologias principais de canções com piano: 1) canções eruditas, sobre textos poéticos em português ou espanhol; 2) canções trovadorescas, sobre textos medievais ou harmonizações de melodias medievais; 3) adaptações para canto e piano de melodias tradicionais portuguesas; 4) canções de raiz urbana ou de carácter ‘ligeiro’ (à falta de melhor termo). As canções escolhidas para este CD representam estes 4 tipos referidos.O género da canção erudita inclui canções sobre textos de autores de língua portuguesa, galega ou castelhana, como, de entre os primeiros, Luís de Camões, João de Deus, Eugénio de Castro, ou António Quadros (filho de António Ferro, diretor do Secretariado da Propaganda Nacional no tempo do Estado Novo). Encontrámos também autores nucleares do modernismo, como o poeta nicaraguano Rubén Darío, ou o espanhol Rogelio Buendía Manzano (a predilecção por textos em castelhano ou galego poderá também estar ligada a motivos de ordem familiar, já que a esposa de Frederico de Freitas era cantora e de origem espanhola). Neste tipo de canções, Frederico de Freitas recorre a um estilo musical com características comuns ao modernismo musical português (e são claras as afinidades a Luís de Freitas Branco). Este CD inclui todas as canções portuguesas em estilo erudito, cuja composição se centrou em 1923 e 1924, como é o caso de Boas noites (João de Deus), Dois Sonetos de Luís de Camões e Chuva de Setembro (Eugénio de Castro), e no período entre 1941 e 1943, no caso de A última cantiga (Afonso Lopes Vieira) e Três canções de António Quadros. Os anos de 1923 e 1924 foram também um dos períodos em que Frederico de Freitas se dedicou a musicar versos em castelhano, como Amo, amas (Rubén Darío) e Estabas triste (Buendía Manzano). A década de 1920 parece portanto ser o período privilegiado da canção erudita para o compositor, já que a maioria dos exemplos subsequentes são resultado da coletânea de repertório anterior (como veremos adiante em relação às canções trovadorescas) ou de encomendas específicas, como no caso das Dez canções galegas: Soledade foi apresentada pela primeira vez em 1962 no Festival de la Canción Gallega de Pontevedra, promovido por Antonio Fernández-Cid e José Filgueira Valverde, e o ciclo completo foi estreado no mesmo festival em 1966.1As canções trovadorescas de Frederico de Freitas englobam não apenas harmonizações de melodias medievais recolhidas pelo compositor, mas também canções originais de Frederico de Freitas sobre textos poéticos medievais. É aliás curioso verificar que, para além da sua actividade de compositor e maestro, dedicou vasto tempo e esforço à pesquisa documental e arquivística tanto na área da música medieval (com uma extensão às modinhas de início do séc. XIX), como na área da música tradicional portuguesa. As canções trovadorescas sugerem o estilo medieval recorrendo à estilização de características associadas a esse estilo. Neste CD está incluída a recolha Seis canções trovadorescas de 1962, que agrupa composições que remontam a períodos anteriores a partir da década de 1920, assim como a cantiga de escárnio Dona fea, velha e sandia.As harmonizações de canções tradicionais portuguesas, como Faixinha verde e Chora videira, recorrem, em alguns casos, a melodias recolhidas pelo próprio compositor, mas também retiradas de recolhas de outros estudiosos. O número de canções desta tipologia na produção de Frederico de Freitas é bastante elevado, sendo que, por si só, representa seguramente a percentagem maior dentro do género da canção com piano. No entanto, também se constata, pela documentação do espólio, que o objetivo final do compositor, ao trabalhar sobre este tipo de repertório, seria sobretudo a sua orquestração com vista à apresentação eventual em concertos sinfónicos ou na rádio. É claro, por outro lado, que o estilo cultivado por Frederico de Freitas neste repertório acabou por influenciar algumas das suas obras que cruzam o erudito e o popular, nomeadamente as Cantigas para a gente moça (Maria Lopes de Oliveira) de 1927. Alguns exemplos, pouco numerosos, conjugam poesia portuguesa e um estilo manifestamente ligado ao fado ou mesmo à canção ‘ligeira’. Os manuscritos autógrafos das canções Anunciação, com poema de Sebastião da Gama, e Os Anéis do teu cabelo, com poema de António Botto, incluem apenas a linha melódica e os acordes que constituem a harmonia, sem mais elementos que indiquem sequer a possibilidade de serem acompanhadas ao piano. Optou-se, nesta gravação, por um acompanhamento discreto no primeiro caso e, no segundo caso, pelo acompanhamento para o fado corrido indicado pelo próprio Frederico de Freitas num ensaio que redigiu sobre o fado. Este CD integra a pesquisa referente ao projeto “Imagens da Terra e do Mar: Frederico de Freitas e a música na cultura portuguesa do séc. XX” (Investigadora principal: Helena Marinho), financiado por fundos FEDER através do Programa Operacional Fatores de Competitividade – COMPETE e por fundos nacionais através da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia. Isabel Alcobia tem desenvolvido uma intensa atividade solística em Portugal e no estrangeiro, tanto no domínio da ópera como em participações em recitais e solista com orquestra. As suas apresentações em ópera incluem as interpretações de Euridice (Orfeo), Pamina (A Flauta Mágica), Adele (O Morcego), Musetta (La Bohème), Giannetta (O Elixir do Amor), Norina (D. Pasquale), Julieta (Romeu e Julieta), Gilda (Rigoletto), Bess (Porgy and Bess) e Isabel (Floresta) de Eurico Carrapatoso. Participou na produção das óperas Amor de Perdição, a convite do Teatro Nacional São Carlos, com representações em Lisboa e Bruxelas no âmbito da Europália, Auto del Lirio y de la Azucena, de José Peyro no Museu del Prado em Madrid, e Naufrágios e Milagres de José Alberto Gil, onde interpretou o papel principal no Centro Cultural de Belém. Dedica parte da sua carreira à divulgação da música portuguesa, tendo estreado um ciclo de canções para soprano, trompa, piano e orquestra de Eurico Carrapatoso e a obra Aver-A-Ria do mesmo compositor. Deu um recital em Macau integrado nas comemorações do dia de Portugal e interpretou Sibila na estreia absoluta da ópera Auto de Coimbra de Manuel Faria, do qual resultou o lançamento de um CD. Da sua discografia faz também parte um trabalho em conjunto com o cravista Mário Trilha, com Modinhas Portuguesas do século XIX. Em 2011 tem ainda programada a gravação das canções de Frederico de Freitas em CD, com a pianista Helena Marinho. Tem participado com regularidade nos principais festivais e temporadas de música do país, em concertos, recitais e em galas de ópera sob direcção dos maestros Michael Corboz, James Colon, Donato Renzetti, Frans Brüggen, Christopher Hogwood, Michael Zilm, David Jimenez, Ernst Schelle, Adriano Martinolli, António Saiote, Fernando Eldoro, Jorge Matta, Vasco Pearce de Azevedo, António Vassalo Lourenço, César Viana e Cesário Costa, e ainda com os pianistas Gabriela Canavilhas, João Paulo Santos, Carla Seixas, Ilda Ortin, Helena Marinho e Shao Ling. Realizou um recital a solo com o pianista Francisco Sassetti e um concerto dirigido pelo Maestro John Leman no Teatro Camões (dia dos EUA), integrados na Expo’98. Para além dos concertos com diversas orquestras por todo o país, onde se incluem a interpretação de obras como Carmina Burana, Requiem de Mozart, 9ª Sinfonia de Beethoven e Stabat Mater de Dvorak realiza, com regularidade, gravações para a RTP, RDP e RTP Açores.Recentemente, atuou no Coliseu do Porto ao lado de José Carreras num espetáculo transmitido em direto pela RTP. Na sequência desta atuação realizou, a convite deste prestigiado tenor, um concerto onde interpretaram árias e duetos de ópera e zarzuela. Iniciou os seus estudos de canto no Conservatório Nacional de Música de Lisboa com Filomena Amaro. Diplomou-se, como bolseira do governo espanhol, na Escola Superior de Canto de Madrid com Marimi del Pozo. Já como bolseira do Ministério da Cultura, concluiu o mestrado na Universidade de Cincinnati (EUA) com Barbara Honn. Frequentou diversos cursos de aperfeiçoamento e interpretação em Portugal e no estrangeiro, tendo trabalhado com Helmut Lips, Isabel Penagos, Helena Lazarska e Gundula Janowitz. Obteve diversos prémios em concursos de canto, sendo de salientar o 1.º prémio no concurso de canto \"Cleveland International Einsteddfod\" (Inglaterra) e no concurso \"Three Arts scholarship\" (U.S.A). No âmbito da programação e eventos artísticos, é Directora desde 1997, do Curso Internacional de Música Vocal (canto e ópera), e desde 2008, do Estúdio de Ópera do Centro. No campo da pedagogia, tem realizado várias Master Classes a convite de Universidades e Conservatórios portugueses. É, desde 1998, docente do Departamento de Comunicação e Arte da Universidade de Aveiro.Helena Marinho tem apresentado recitais e concertos de música de câmara nas principais salas e festivais portugueses, e também nos Estados Unidos, Brasil, Singapura, Itália, Inglaterra, França, Suécia e Noruega. A sua actividade divide-se entre projectos com piano moderno e pianoforte, tendo gravado CDs com repertório contemporâneo e clássico em ambos os instrumentos.Concluiu o Curso Superior de Piano no Conservatório de Música do Porto na classe de Glória Esteves e foi aluna de Helena Sá e Costa. Paralelamente licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas na Universidade do Porto. Estudou com Sequeira Costa na Universidade do Kansas, nos Estados Unidos, onde obteve o Mestrado em Piano na qualidade de bolseira Fulbright, e na Academia Estatal de Música da Noruega, concluindo o Diploma de Concerto nas classes de Einar Steen-Nökleberg e Lazar Berman, como bolseira do Governo Norueguês. Estudou pianoforte com Malcolm Bilson, Ketil Haugsand e Jacques Ogg. Prosseguiu estudos de investigação do repertório da era clássica na Universidade de Sheffield, onde concluiu o doutoramento.Helena Marinho é detentora do Prémio Gulbenkian do Conservatório de Música de Porto e dos primeiros prémios nos Concursos de Braga e da Covilhã. Para além de recitais a solo e de música de câmara no estrangeiro, tem também tocado nas principais salas de concerto portuguesas: Museu Gulbenkian, Teatro S. Luís, Palácio Foz, ACARTE e CCB em Lisboa, Auditório Carlos Alberto, Teatro Helena Costa, Fundação Eng.º António de Almeida, Teatro S. João, Teatro do Campo Alegre, Casa da Música e Coliseu no Porto, em vários festivais (Festival da Costa Verde, Encontros Gulbenkian de Música Contemporânea, Encontros da Primavera, Festival de Aveiro, Festival Internacional de Gaia, Encontros do Alentejo de Música do Século XX/XXI, Festa da Música) e em duo com artistas como os cantores Oliveira Lopes, Paulo Ferreira e Rui Taveira, os contrabaixistas Michael Wolf, Gottfried Engels e Florian Pertzborn, o violoncelista Jaroslav Mikus, os violinistas Vadim Brodsky e Pedro Meireles, os flautistas Pedro Couto Soares, Jean Ferrandis, Luís Meireles, Massimo Mercelli, Felix Renggli e Jorge Correia, e os grupos de música contemporânea Khora Ensemble, Performa Ensemble e Oficina Musical. Foi professora adjunta na Escola Superior de Música do Instituto Politécnico do Porto, e é presentemente professora auxiliar no Departamento de Comunicação e Arte da Universidade de Aveiro. Colabora regularmente com a Casa da Música, tanto na elaboração de notas de programa, como na apresentação de palestras. From fado to art song:Works for voice and piano by Frederico de FreitasIsabel Alcobia, sopranoHelena Marinho, piano Composer, conductor, and scholar, Frederico de Freitas (1902-80) was one of the most relevant personalities in 20th-century Portuguese music. As a composer, he demonstrated an unusual versatility and success, working in different fields within the scope of art music and popular music, namely stage works (dance, theatre and revista/vaudeville), motion-picture soundtracks, and fado. His significance is identifiable in the wide appeal that many of his works, namely his film music, still hold in Portuguese collective memory.Frederico de Freitas began his music studies with his mother, pianist Elvira Guedes de Freitas, and was admitted to the National Conservatoire in Lisbon when he was 13 years old. The first public presentation of a work by the young composer was in 1922, at the Conservatoire. At the time he finished the composition degree, in 1925, he was already teaching choral singing in Lisbon. During the 1920s and 1930s, Frederico de Freitas continued to compose in the art-music tradition, but he was particularly successful as film and vaudeville composer; he composed the music for the first Portuguese sound movie, A Severa (1931). He also began his conducting career during this period; conducting would become one of his preferred activities, and he conducted the National Radio orchestras in Portugal and abroad until his retirement in 1975. He often conducted and premiered works by Portuguese composers, particularly contemporary works. His own works include several genres, and he is mostly renowned for his orchestral and chamber works, as well as his collaboration with dance productions and cultural events promoted by the National Propaganda Secretariat during the dictatorship period. Frederico de Freitas is often classified as an eclectic composer, and the variety of his works confirms this characterization: the styles of his works range from the nationalism of the Portuguese Legion Anthem (1937), to the colonial inspiration of the 1938 African Suite, the symphonic ballet Nazaré from 1948, or the serialism of the 1975 Pentafonia wind quintet.Frederico de Freitas composed songs for voice and piano from the earliest years of his career, but this repertoire has been overshadowed by his orchestra output, in spite of the importance of the vocal works, both in number and variety. Only a few songs were edited while Freitas was alive, and even these editions have long been unavailable. The composer’s archives, which have been donated to the University of Aveiro (Portugal) in 2011, include many examples of songs with piano accompaniment. The cataloguing of this repertoire is still underway, and critical editions are not yet available. The performances included in this CD are therefore based on the available autographs, manuscripts, and period editions, most likely supervised by the composer. The archives include several art songs, but this genre is outnumbered by the many harmonizations of folk melodies, or transcriptions for voice and piano of songs originally composed for vaudeville, operetta or movies.Preliminary studies of the songs included in the archives have identified four main types: 1) art songs, based on Portuguese or Spanish poetry; 2) troubadour-style songs on medieval texts, or transcriptions for voice and piano of medieval melodies; 3) transcriptions for voice and piano of Portuguese folk songs; 4) urban and popular songs. The songs selected for this CD present examples of all these four types.Frederico de Freitas’ art songs are based on Portuguese, Galician and Castilian poetry, including Portuguese authors such as Luís de Camões, João de Deus, Eugénio de Castro, or António Quadros. Some songs have texts by modernist authors, such as Rubén Darío from Nicaragua, or the Spaniard Rogelio Buendía Manzano (Freitas’ wife was a singer of Spanish origin, which may explain his preference for Spanish poetry). Frederico de Freitas’ art songs display modernist traits, and there is a marked affinity with Portuguese composer Luís de Freitas Branco. This CD includes all the Portuguese art songs; these were composed in 1923 and 1924, such as Boas noites (João de Deus), Dois Sonetos de Luís de Camões, and Chuva de Setembro (Eugénio de Castro), as well as in 1941 and 1943, such as A última cantiga (Afonso Lopes Vieira), and Três canções de António Quadros. In 1923 and 1924, Frederico de Freitas also composed several Spanish songs, such as Amo, amas (Rubén Darío) and Estabas triste (Buendía Manzano). The 1920s seem therefore to have been an important period for the composition of art songs, since later examples are generally anthologies of earlier works (the troubadour-style songs, for example), or special commissions, such as the Dez canções galegas: Soledade was premiered in 1962, at the Festival de la Canción Gallega in Pontevedra (Spain), organized by Antonio Fernández-Cid and José Filgueira Valverde, and the complete cycle was presented at the same festival in 1966.1 Frederico de Freitas’ troubadour songs include both transcriptions of medieval melodies gathered by the composer, and original songs based on medieval poetry. As a researcher, Freitas was particularly interested in medieval music and traditional / folk music. His troubadour songs suggest the recreation of a medieval style and its main characteristics. This CD includes the satirical song Dona fea, velha e sandia, and the anthology Seis canções trovadorescas from 1962; some of these songs were composed decades earlier.The transcriptions of Portuguese folk songs, such as Faixinha verde or Chora videira, were based on melodies gathered by Frederico de Freitas himself, or from melodies included in folk-music anthologies. As mentioned earlier, this song genre outnumbers all other genres in Freitas’ output, but many of these songs were probably work-in-progress materials meant for orchestration and presentation in orchestral concerts or radio programmes. Their characteristics, nevertheless, influenced some songs that combine erudite and popular styles, such as Cantigas para a gente moça (Maria Lopes de Oliveira) from 1927. Other examples also combine Portuguese poetry and styles that could be associated with fado or popular song, such as Anunciação (Sebastião da Gama), or Os Anéis do teu cabelo (António Botto).Isabel Alcobia (soprano) has performed extensively in Portugal and other countries, presenting opera, song and orchestral repertoire. Her opera roles include Euridice (Orfeo), Pamina (The Magic Flute), Adele (Die Fledermaus), Musetta (La Bohème), Giannetta (L\'elisir d\'amore), Norina (D. Pasquale), Gilda (Rigoletto), and Bess (Porgy and Bess). She has also premiered several works by Portuguese composers and recorded several CDs of Portuguese contemporary and 19th-century music.She is frequently invited by music festivals and has performed with conductors Michael Corboz, James Colon, Donato Renzetti, Frans Brüggen, Christopher Hogwood, Michael Zilm, David Jimenez, Ernst Schelle, Adriano Martinolli, António Saiote, Fernando Eldoro, Jorge Matta, Vasco Pearce de Azevedo, António Vassalo Lourenço, César Viana and Cesário Costa, and with pianists Gabriela Canavilhas, João Paulo Santos, Carla Seixas, Ilda Ortin, Helena Marinho and Shao Ling, and with other singers, namely Jose Carreras.She studied at the National Conservatoire in Lisbon with Filomena Amaro, and at the Madrid Superior School of Singing with Marimi del Pozo. She was awarded a Master of Music degree at the University of Cincinnati, with Barbara Honn, and won 1st prize at the Cleveland International Einsteddfod Competition and Three Arts Scholarship Competition. She is the director, since 1997, of the International Vocal Courses in Aveiro, and, since 2008, of the Central Opera Studio. She teaches at the Department of Communication of Arts of the University of Aveiro since 1998.Helena Marinho (piano) has performed as a soloist and a chamber musician in the most prestigious festivals and concerts halls in Portugal, as well as in the United States, Singapore, England, France, Italy, Sweden, Brazil and Norway. She has recorded several CD with new works by Portuguese composers, as well as radio and television programmes in Portugal and France.She plays both the modern piano and the fortepiano and has recorded CDs in both instruments. She specializes in contemporary repertoire, with the Portuguese ensemble Performa, Classical repertoire and piano accompaniment. She has performed with singers Oliveira Lopes, Paulo Ferreira, José de Eça and Rui Taveira, bassists Michael Wolf, Gottfried Engels e Florian Pertzborn, cellist Jaroslav Mikus, violinists Vadim Brodsky and Pedro Meireles, flutists Pedro Couto Soares, Jean Ferrandis, Luís Meireles, Massimo Mercelli, Felix Renggli and Jorge Correia.She studied with Sequeira Costa at the University of Kansas, where she was awarded a Master of Music degree as Fulbright scholar. She also completed a Concert Diploma degree at the Norwegian State Academy of Music, where she studied with Einar Steen-Nökleberg and Lazar Berman. She teaches presently at the Department of Communication of Arts of the University of Aveiro, where she is the Director of the Master’s programme. 00351 227459061 - 00351 220812751 - Compre pelo telefone Segunda-Feira-Sexta-Feira, 10:00-18:00
Original languageUnknown
Publishernúmerica
Publication statusPublished - 1 Jan 2012

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