Em busca de um fio condutor

Agamben ou a profanação da ópera pelo cinema

Research output: Contribution to conferenceAbstract

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Abstract

No ensaio “In Praise of Profanation”, Agamben reelabora o conceito de profanação no contexto do que Benjamin chamou, num fragmento póstumo, a religião do capitalismo. Num mundo em que troca, o consumo e a exibição espectaculares parecem inviabilizar todo e qualquer uso, o gesto profanatório representaria a possibilidade, ainda que precária, de uma relação com objectos irredutível a fins pré-determinados. Nesta comunicação, adoptando como pano de fundo o modo como neste ensaio de Agamben se compreende o conceito de profanação, procurarei discutir até que ponto faz sentido caracterizar certas representações cinematográficas da ópera como profanações daquele género músico-teatral. Entre os vários motivos que parecem tornar esta hipótese pertinente para discutir em termos politicamente desafiantes o encontro entre aqueles dois géneros, conta-se o facto de Agamben nos convidar a conceber a profanação como uma tentativa de resgatar um objecto ou prática à tradição (seja ela efectivamente religiosa ou genericamente cultural) sem equiparar tal resgate a uma integração desse objecto ou prática na “lógica cultural do capitalismo tardio”. Profanar a ópera – e a questão é saber em que sentido o cinema o pode fazer – significaria então mais do que rejeitar o “valor de culto”; implicaria também não confundir o “valor de uso”, enquanto oposto quer ao “valor de culto” quer ao “valor de troca”, com os seus sucedâneos ou duplos: o consumo e a exibição espectaculares.
Original languagePortuguese
Pages89
Number of pages1
Publication statusPublished - 2016
EventANNUAL MEETING OF THE AIM - Universidade Católica do Porto, Porto, Portugal
Duration: 4 May 20177 May 2017

Conference

ConferenceANNUAL MEETING OF THE AIM
CountryPortugal
CityPorto
Period4/05/177/05/17

Cite this

Cachopo, J. P. D. B. G. (2016). Em busca de um fio condutor: Agamben ou a profanação da ópera pelo cinema. 89. Abstract from ANNUAL MEETING OF THE AIM, Porto, Portugal.
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Cachopo, JPDBG 2016, 'Em busca de um fio condutor: Agamben ou a profanação da ópera pelo cinema' ANNUAL MEETING OF THE AIM, Porto, Portugal, 4/05/17 - 7/05/17, pp. 89.

Em busca de um fio condutor : Agamben ou a profanação da ópera pelo cinema. / Cachopo, João Pedro de Bastos Gonçalves.

2016. 89 Abstract from ANNUAL MEETING OF THE AIM, Porto, Portugal.

Research output: Contribution to conferenceAbstract

TY - CONF

T1 - Em busca de um fio condutor

T2 - Agamben ou a profanação da ópera pelo cinema

AU - Cachopo, João Pedro de Bastos Gonçalves

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PY - 2016

Y1 - 2016

N2 - No ensaio “In Praise of Profanation”, Agamben reelabora o conceito de profanação no contexto do que Benjamin chamou, num fragmento póstumo, a religião do capitalismo. Num mundo em que troca, o consumo e a exibição espectaculares parecem inviabilizar todo e qualquer uso, o gesto profanatório representaria a possibilidade, ainda que precária, de uma relação com objectos irredutível a fins pré-determinados. Nesta comunicação, adoptando como pano de fundo o modo como neste ensaio de Agamben se compreende o conceito de profanação, procurarei discutir até que ponto faz sentido caracterizar certas representações cinematográficas da ópera como profanações daquele género músico-teatral. Entre os vários motivos que parecem tornar esta hipótese pertinente para discutir em termos politicamente desafiantes o encontro entre aqueles dois géneros, conta-se o facto de Agamben nos convidar a conceber a profanação como uma tentativa de resgatar um objecto ou prática à tradição (seja ela efectivamente religiosa ou genericamente cultural) sem equiparar tal resgate a uma integração desse objecto ou prática na “lógica cultural do capitalismo tardio”. Profanar a ópera – e a questão é saber em que sentido o cinema o pode fazer – significaria então mais do que rejeitar o “valor de culto”; implicaria também não confundir o “valor de uso”, enquanto oposto quer ao “valor de culto” quer ao “valor de troca”, com os seus sucedâneos ou duplos: o consumo e a exibição espectaculares.

AB - No ensaio “In Praise of Profanation”, Agamben reelabora o conceito de profanação no contexto do que Benjamin chamou, num fragmento póstumo, a religião do capitalismo. Num mundo em que troca, o consumo e a exibição espectaculares parecem inviabilizar todo e qualquer uso, o gesto profanatório representaria a possibilidade, ainda que precária, de uma relação com objectos irredutível a fins pré-determinados. Nesta comunicação, adoptando como pano de fundo o modo como neste ensaio de Agamben se compreende o conceito de profanação, procurarei discutir até que ponto faz sentido caracterizar certas representações cinematográficas da ópera como profanações daquele género músico-teatral. Entre os vários motivos que parecem tornar esta hipótese pertinente para discutir em termos politicamente desafiantes o encontro entre aqueles dois géneros, conta-se o facto de Agamben nos convidar a conceber a profanação como uma tentativa de resgatar um objecto ou prática à tradição (seja ela efectivamente religiosa ou genericamente cultural) sem equiparar tal resgate a uma integração desse objecto ou prática na “lógica cultural do capitalismo tardio”. Profanar a ópera – e a questão é saber em que sentido o cinema o pode fazer – significaria então mais do que rejeitar o “valor de culto”; implicaria também não confundir o “valor de uso”, enquanto oposto quer ao “valor de culto” quer ao “valor de troca”, com os seus sucedâneos ou duplos: o consumo e a exibição espectaculares.

M3 - Abstract

SP - 89

ER -

Cachopo JPDBG. Em busca de um fio condutor: Agamben ou a profanação da ópera pelo cinema. 2016. Abstract from ANNUAL MEETING OF THE AIM, Porto, Portugal.