Da fabulação à desconstrução

o qualquer no cinema brasileiro contemporâneo

Susana Viegas, Felipe Diniz

Research output: Chapter in Book/Report/Conference proceedingConference contribution

Abstract

Como chegar ao personagem-qualquer? Partindo da ideia de fabulação em Deleuze para uma breve reflexão sobre o duplo processo ontológico de devires e intensidades, evidenciamos a dimensão política e ética que o conceito ganha, apontando para a urgência de um registo que permite ao indivíduo devir ‘o próprio’, ficcionar a sua vida. Juntamente com a ideia de “auto-mise en scène” de um personagem, discutimos a formação desta singularidade e a necessidade da função fabuladora que liberta a ficção de um modelo de verdade que tem dominado todo um imaginário. Por outro lado, Agamben enxerga este qualquer como uma singularidade que “jamais é inteligência de alguma coisa, desta ou daquela qualidade ou essência, mas somente uma inteligência de uma inteligibilidade” (Agamben 2013, 11). Desta forma, o indivíduo, em sua existência singular, vive submerso na complexidade das relações indistinguíveis entre a potência e o ato, e suas formas de ser e estar transitam constantemente através de um corpo verdadeiramente qualquer. Opera-se assim, no contexto de uma cinematografia brasileira contemporânea, personagens que experimentam a sensação de estarem expropriados de identidades e animados pela própria impropriedade. O que está em jogo é a exposição de histórias e personagens que se constituem pelas singularidades em potência e não por identidades acabadas. Neste sentido, como veremos com a análise de alguns filmes, o qualquer pode ser entendido não como ausência de pertencimento, mas como presença plena.
Original languagePortuguese
Title of host publicationAtas do VII Encontro Anual da AIM
EditorsAna Balona de Oliveira, Catarina Maia, Madalena Oliveira
PublisherAIM – Associação de Investigadores da Imagem em Movimento
Pages22-31
Number of pages9
ISBN (Electronic)978-989-98215-8-3
Publication statusPublished - 2017
EventVII Encontro Anual da AIM - Universidade do Minho - Instituto de Ciências Sociais, Portugal
Duration: 10 May 201713 May 2017
http://aim.org.pt/encontro/vii/

Conference

ConferenceVII Encontro Anual da AIM
CountryPortugal
Period10/05/1713/05/17
Internet address

Keywords

  • Deleuze
  • Agamben
  • Filosofia do cinema
  • Fabulação

Cite this

Viegas, S., & Diniz, F. (2017). Da fabulação à desconstrução: o qualquer no cinema brasileiro contemporâneo. In A. Balona de Oliveira, C. Maia, & M. Oliveira (Eds.), Atas do VII Encontro Anual da AIM (pp. 22-31). AIM – Associação de Investigadores da Imagem em Movimento.
Viegas, Susana ; Diniz, Felipe. / Da fabulação à desconstrução : o qualquer no cinema brasileiro contemporâneo. Atas do VII Encontro Anual da AIM. editor / Ana Balona de Oliveira ; Catarina Maia ; Madalena Oliveira. AIM – Associação de Investigadores da Imagem em Movimento, 2017. pp. 22-31
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Viegas, S & Diniz, F 2017, Da fabulação à desconstrução: o qualquer no cinema brasileiro contemporâneo. in A Balona de Oliveira, C Maia & M Oliveira (eds), Atas do VII Encontro Anual da AIM. AIM – Associação de Investigadores da Imagem em Movimento, pp. 22-31, VII Encontro Anual da AIM, Portugal, 10/05/17.

Da fabulação à desconstrução : o qualquer no cinema brasileiro contemporâneo. / Viegas, Susana; Diniz, Felipe.

Atas do VII Encontro Anual da AIM. ed. / Ana Balona de Oliveira; Catarina Maia; Madalena Oliveira. AIM – Associação de Investigadores da Imagem em Movimento, 2017. p. 22-31.

Research output: Chapter in Book/Report/Conference proceedingConference contribution

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T1 - Da fabulação à desconstrução

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N2 - Como chegar ao personagem-qualquer? Partindo da ideia de fabulação em Deleuze para uma breve reflexão sobre o duplo processo ontológico de devires e intensidades, evidenciamos a dimensão política e ética que o conceito ganha, apontando para a urgência de um registo que permite ao indivíduo devir ‘o próprio’, ficcionar a sua vida. Juntamente com a ideia de “auto-mise en scène” de um personagem, discutimos a formação desta singularidade e a necessidade da função fabuladora que liberta a ficção de um modelo de verdade que tem dominado todo um imaginário. Por outro lado, Agamben enxerga este qualquer como uma singularidade que “jamais é inteligência de alguma coisa, desta ou daquela qualidade ou essência, mas somente uma inteligência de uma inteligibilidade” (Agamben 2013, 11). Desta forma, o indivíduo, em sua existência singular, vive submerso na complexidade das relações indistinguíveis entre a potência e o ato, e suas formas de ser e estar transitam constantemente através de um corpo verdadeiramente qualquer. Opera-se assim, no contexto de uma cinematografia brasileira contemporânea, personagens que experimentam a sensação de estarem expropriados de identidades e animados pela própria impropriedade. O que está em jogo é a exposição de histórias e personagens que se constituem pelas singularidades em potência e não por identidades acabadas. Neste sentido, como veremos com a análise de alguns filmes, o qualquer pode ser entendido não como ausência de pertencimento, mas como presença plena.

AB - Como chegar ao personagem-qualquer? Partindo da ideia de fabulação em Deleuze para uma breve reflexão sobre o duplo processo ontológico de devires e intensidades, evidenciamos a dimensão política e ética que o conceito ganha, apontando para a urgência de um registo que permite ao indivíduo devir ‘o próprio’, ficcionar a sua vida. Juntamente com a ideia de “auto-mise en scène” de um personagem, discutimos a formação desta singularidade e a necessidade da função fabuladora que liberta a ficção de um modelo de verdade que tem dominado todo um imaginário. Por outro lado, Agamben enxerga este qualquer como uma singularidade que “jamais é inteligência de alguma coisa, desta ou daquela qualidade ou essência, mas somente uma inteligência de uma inteligibilidade” (Agamben 2013, 11). Desta forma, o indivíduo, em sua existência singular, vive submerso na complexidade das relações indistinguíveis entre a potência e o ato, e suas formas de ser e estar transitam constantemente através de um corpo verdadeiramente qualquer. Opera-se assim, no contexto de uma cinematografia brasileira contemporânea, personagens que experimentam a sensação de estarem expropriados de identidades e animados pela própria impropriedade. O que está em jogo é a exposição de histórias e personagens que se constituem pelas singularidades em potência e não por identidades acabadas. Neste sentido, como veremos com a análise de alguns filmes, o qualquer pode ser entendido não como ausência de pertencimento, mas como presença plena.

KW - Deleuze

KW - Agamben

KW - Filosofia do cinema

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M3 - Conference contribution

SP - 22

EP - 31

BT - Atas do VII Encontro Anual da AIM

A2 - Balona de Oliveira, Ana

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PB - AIM – Associação de Investigadores da Imagem em Movimento

ER -

Viegas S, Diniz F. Da fabulação à desconstrução: o qualquer no cinema brasileiro contemporâneo. In Balona de Oliveira A, Maia C, Oliveira M, editors, Atas do VII Encontro Anual da AIM. AIM – Associação de Investigadores da Imagem em Movimento. 2017. p. 22-31