Da cultura visual na produção de distinção

A vida musical lisboeta na imprensa ilustrada (1903-1933)

Research output: Contribution to conferenceOther

Abstract

As revistas ilustradas correspondem a um certo gosto de modernidade em documentar e comunicar acontecimentos do quotidiano, não apenas pelo texto mas, sobretudo, pelo desenho e pela fotografia. No geral, estas revistas abordavam temas da vida mundana incluindo assuntos artísticos, literários, musicais, desportivos, políticos e científicos, embora a escolha dos conteúdos a publicar e o próprio formato fossem variáveis entre publicações. Com capas apelativas, publicidade, textos relativamente curtos, algumas crónicas, uma profusão de imagens e, por vezes, até partituras, eram publicações particularmente atrativas para os lisboetas ‘elegantes’ ou seja, para uma burguesia ansiosa de se inscrever num estilo de vida cosmopolita em sintonia com (ou com forte influência dos) grandes centros europeus, especialmente com Paris.
Nesta sessão propomo-nos observar e discutir o papel das imagens (como práticas de construção de significado) na mediação dos acontecimentos musicais em Lisboa nas revistas Ilustração Portuguesa (1903-1993) e Ilustração (1926-1939). Focar-nos-emos nas três décadas a partir de 1903, ano de lançamento da primeira revista, incorporando a nossa discussão nas diversas dimensões políticas, sociais e culturais que caracterizam este período.
Da análise destas publicações emerge uma multiplicidade de dados que permitem perspetivar a música enquanto construtora e mediadora de sociabilidades no quotidiano urbano. Destacamos, por um lado, os contextos em que é praticada, como teatros, salões privados, associações, auditórios, conservatórios, palácios e clubes, em eventos caritativos, bailes de gala, concertos, espetáculos músico-teatrais, audições escolares, saraus, entre outros; por outro, os seus agentes, tais como estudantes, pedagogos, instrumentistas, cantores, maestros e orquestras, talentos, estrelas e vedetas, assim como pontuais referências a públicos. As imagens que surgem nestas revistas em processos de identificação ou mediação de acontecimentos ou figuras musicais referem-se tanto a circunstâncias e modelos de atuação em cena, como a habitus da vida social quotidiana.
Interessa-nos, assim (além de outros aspectos), discutir e intercalar dois planos de debate: 1) o papel da imagem na produção de significado no contexto em que é gerada, logo, como instrumento de poder, construção de realidade e estratificação social, 2) no modo como fornece (e modela) informação nos processos de produção e disciplinação de narrativas históricas (Foucault; Elias; Goffman; Latour; Bourdieu...).
Original languagePortuguese
Publication statusPublished - 4 May 2017
EventOficina de História e Imagem - Faculdade de Ciências Sociais e Humanas – Universidade Nova de Lisboa, Lisbon, Portugal
Duration: 4 May 2017 → …

Other

OtherOficina de História e Imagem
CountryPortugal
CityLisbon
Period4/05/17 → …

Keywords

  • Imprensa Ilustrada
  • Século XX
  • Música
  • Distinção
  • Representações

Cite this

@conference{978174c3a877422fb12ccfd1314f1591,
title = "Da cultura visual na produ{\cc}{\~a}o de distin{\cc}{\~a}o: A vida musical lisboeta na imprensa ilustrada (1903-1933)",
abstract = "As revistas ilustradas correspondem a um certo gosto de modernidade em documentar e comunicar acontecimentos do quotidiano, n{\~a}o apenas pelo texto mas, sobretudo, pelo desenho e pela fotografia. No geral, estas revistas abordavam temas da vida mundana incluindo assuntos art{\'i}sticos, liter{\'a}rios, musicais, desportivos, pol{\'i}ticos e cient{\'i}ficos, embora a escolha dos conte{\'u}dos a publicar e o pr{\'o}prio formato fossem vari{\'a}veis entre publica{\cc}{\~o}es. Com capas apelativas, publicidade, textos relativamente curtos, algumas cr{\'o}nicas, uma profus{\~a}o de imagens e, por vezes, at{\'e} partituras, eram publica{\cc}{\~o}es particularmente atrativas para os lisboetas ‘elegantes’ ou seja, para uma burguesia ansiosa de se inscrever num estilo de vida cosmopolita em sintonia com (ou com forte influ{\^e}ncia dos) grandes centros europeus, especialmente com Paris.Nesta sess{\~a}o propomo-nos observar e discutir o papel das imagens (como pr{\'a}ticas de constru{\cc}{\~a}o de significado) na media{\cc}{\~a}o dos acontecimentos musicais em Lisboa nas revistas Ilustra{\cc}{\~a}o Portuguesa (1903-1993) e Ilustra{\cc}{\~a}o (1926-1939). Focar-nos-emos nas tr{\^e}s d{\'e}cadas a partir de 1903, ano de lan{\cc}amento da primeira revista, incorporando a nossa discuss{\~a}o nas diversas dimens{\~o}es pol{\'i}ticas, sociais e culturais que caracterizam este per{\'i}odo. Da an{\'a}lise destas publica{\cc}{\~o}es emerge uma multiplicidade de dados que permitem perspetivar a m{\'u}sica enquanto construtora e mediadora de sociabilidades no quotidiano urbano. Destacamos, por um lado, os contextos em que {\'e} praticada, como teatros, sal{\~o}es privados, associa{\cc}{\~o}es, audit{\'o}rios, conservat{\'o}rios, pal{\'a}cios e clubes, em eventos caritativos, bailes de gala, concertos, espet{\'a}culos m{\'u}sico-teatrais, audi{\cc}{\~o}es escolares, saraus, entre outros; por outro, os seus agentes, tais como estudantes, pedagogos, instrumentistas, cantores, maestros e orquestras, talentos, estrelas e vedetas, assim como pontuais refer{\^e}ncias a p{\'u}blicos. As imagens que surgem nestas revistas em processos de identifica{\cc}{\~a}o ou media{\cc}{\~a}o de acontecimentos ou figuras musicais referem-se tanto a circunst{\^a}ncias e modelos de atua{\cc}{\~a}o em cena, como a habitus da vida social quotidiana.Interessa-nos, assim (al{\'e}m de outros aspectos), discutir e intercalar dois planos de debate: 1) o papel da imagem na produ{\cc}{\~a}o de significado no contexto em que {\'e} gerada, logo, como instrumento de poder, constru{\cc}{\~a}o de realidade e estratifica{\cc}{\~a}o social, 2) no modo como fornece (e modela) informa{\cc}{\~a}o nos processos de produ{\cc}{\~a}o e disciplina{\cc}{\~a}o de narrativas hist{\'o}ricas (Foucault; Elias; Goffman; Latour; Bourdieu...).",
keywords = "Imprensa Ilustrada , S{\'e}culo XX, M{\'u}sica , Distin{\cc}{\~a}o , Representa{\cc}{\~o}es",
author = "Filipe Gaspar and Calado, {Mariana Carvalho} and Paula Gomes-Ribeiro",
note = "info:eu-repo/grantAgreement/FCT/5876/147237/PT# UID/EAT/00693/2013 PD/BD/132377/2017; null ; Conference date: 04-05-2017",
year = "2017",
month = "5",
day = "4",
language = "Portuguese",

}

TY - CONF

T1 - Da cultura visual na produção de distinção

T2 - A vida musical lisboeta na imprensa ilustrada (1903-1933)

AU - Gaspar, Filipe

AU - Calado, Mariana Carvalho

AU - Gomes-Ribeiro, Paula

N1 - info:eu-repo/grantAgreement/FCT/5876/147237/PT# UID/EAT/00693/2013 PD/BD/132377/2017

PY - 2017/5/4

Y1 - 2017/5/4

N2 - As revistas ilustradas correspondem a um certo gosto de modernidade em documentar e comunicar acontecimentos do quotidiano, não apenas pelo texto mas, sobretudo, pelo desenho e pela fotografia. No geral, estas revistas abordavam temas da vida mundana incluindo assuntos artísticos, literários, musicais, desportivos, políticos e científicos, embora a escolha dos conteúdos a publicar e o próprio formato fossem variáveis entre publicações. Com capas apelativas, publicidade, textos relativamente curtos, algumas crónicas, uma profusão de imagens e, por vezes, até partituras, eram publicações particularmente atrativas para os lisboetas ‘elegantes’ ou seja, para uma burguesia ansiosa de se inscrever num estilo de vida cosmopolita em sintonia com (ou com forte influência dos) grandes centros europeus, especialmente com Paris.Nesta sessão propomo-nos observar e discutir o papel das imagens (como práticas de construção de significado) na mediação dos acontecimentos musicais em Lisboa nas revistas Ilustração Portuguesa (1903-1993) e Ilustração (1926-1939). Focar-nos-emos nas três décadas a partir de 1903, ano de lançamento da primeira revista, incorporando a nossa discussão nas diversas dimensões políticas, sociais e culturais que caracterizam este período. Da análise destas publicações emerge uma multiplicidade de dados que permitem perspetivar a música enquanto construtora e mediadora de sociabilidades no quotidiano urbano. Destacamos, por um lado, os contextos em que é praticada, como teatros, salões privados, associações, auditórios, conservatórios, palácios e clubes, em eventos caritativos, bailes de gala, concertos, espetáculos músico-teatrais, audições escolares, saraus, entre outros; por outro, os seus agentes, tais como estudantes, pedagogos, instrumentistas, cantores, maestros e orquestras, talentos, estrelas e vedetas, assim como pontuais referências a públicos. As imagens que surgem nestas revistas em processos de identificação ou mediação de acontecimentos ou figuras musicais referem-se tanto a circunstâncias e modelos de atuação em cena, como a habitus da vida social quotidiana.Interessa-nos, assim (além de outros aspectos), discutir e intercalar dois planos de debate: 1) o papel da imagem na produção de significado no contexto em que é gerada, logo, como instrumento de poder, construção de realidade e estratificação social, 2) no modo como fornece (e modela) informação nos processos de produção e disciplinação de narrativas históricas (Foucault; Elias; Goffman; Latour; Bourdieu...).

AB - As revistas ilustradas correspondem a um certo gosto de modernidade em documentar e comunicar acontecimentos do quotidiano, não apenas pelo texto mas, sobretudo, pelo desenho e pela fotografia. No geral, estas revistas abordavam temas da vida mundana incluindo assuntos artísticos, literários, musicais, desportivos, políticos e científicos, embora a escolha dos conteúdos a publicar e o próprio formato fossem variáveis entre publicações. Com capas apelativas, publicidade, textos relativamente curtos, algumas crónicas, uma profusão de imagens e, por vezes, até partituras, eram publicações particularmente atrativas para os lisboetas ‘elegantes’ ou seja, para uma burguesia ansiosa de se inscrever num estilo de vida cosmopolita em sintonia com (ou com forte influência dos) grandes centros europeus, especialmente com Paris.Nesta sessão propomo-nos observar e discutir o papel das imagens (como práticas de construção de significado) na mediação dos acontecimentos musicais em Lisboa nas revistas Ilustração Portuguesa (1903-1993) e Ilustração (1926-1939). Focar-nos-emos nas três décadas a partir de 1903, ano de lançamento da primeira revista, incorporando a nossa discussão nas diversas dimensões políticas, sociais e culturais que caracterizam este período. Da análise destas publicações emerge uma multiplicidade de dados que permitem perspetivar a música enquanto construtora e mediadora de sociabilidades no quotidiano urbano. Destacamos, por um lado, os contextos em que é praticada, como teatros, salões privados, associações, auditórios, conservatórios, palácios e clubes, em eventos caritativos, bailes de gala, concertos, espetáculos músico-teatrais, audições escolares, saraus, entre outros; por outro, os seus agentes, tais como estudantes, pedagogos, instrumentistas, cantores, maestros e orquestras, talentos, estrelas e vedetas, assim como pontuais referências a públicos. As imagens que surgem nestas revistas em processos de identificação ou mediação de acontecimentos ou figuras musicais referem-se tanto a circunstâncias e modelos de atuação em cena, como a habitus da vida social quotidiana.Interessa-nos, assim (além de outros aspectos), discutir e intercalar dois planos de debate: 1) o papel da imagem na produção de significado no contexto em que é gerada, logo, como instrumento de poder, construção de realidade e estratificação social, 2) no modo como fornece (e modela) informação nos processos de produção e disciplinação de narrativas históricas (Foucault; Elias; Goffman; Latour; Bourdieu...).

KW - Imprensa Ilustrada

KW - Século XX

KW - Música

KW - Distinção

KW - Representações

M3 - Other

ER -