Abstract
Foi pela imposição de um violento adestramento a si própria, que a espécie humana se foi libertando, ao longo dos séculos, da sua natureza animal, seu pesadelo, sua face obscura. No entanto, o olhar interrogativo do homem sobre a sua animalidade latente ou refreada tem adquirido uma força renovada na literatura dos últimos anos. Pretende-se, pois, com este estudo indagar o modo como alguns autores contemporâneos se servem do corpo das suas personagens como veículo de expressão do insólito (re)encontro do humano com a sua intrínseca animalidade. Para tal, tomamos como corpus de análise os contos “Centauro” (in Objecto quase, 1978) de José Saramago e “Um casaco de raposa vermelha” (in A mulher que prendeu a chuva e outras histórias, 2007) de Teolinda Gersão, bem como uma das mais recentes obras de Gonçalo M. Tavares, intitulada animalescos (2013).
| Original language | Portuguese |
|---|---|
| Pages (from-to) | 99-110 |
| Number of pages | 11 |
| Journal | Redisco. Revista Eletrônica de Estudos do discurso e do corpo |
| Volume | 6 |
| Issue number | 2 |
| Publication status | Published - 2014 |
Keywords
- corpo
- Animalidade
- Hibridismo
- Metamorfose
- Deformação
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