Na(s) fronteira(s) entre material biológico e filho potencial: Concepções plurais em torno do embrião humano entre beneficiários de PMA

Translated title of the contribution: At the frontier(s) between biological materialand potential child: Plural conceptions on the human embryo among ART beneficiaries

Research output: Contribution to journalArticlepeer-review

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Abstract

A biomedicalização no contexto da Procriação Medicamente Assistida (PMA) produziu um novo ator e identidade coletiva tecnocientífica — o embrião humano in vitro. Este configura-se como um objeto de fronteira, no sentido em que é identificável uma fluidez de significados produzidos e de estatutos conferidos, não constituindo o embrião in vitro uma entidade biológica estática e universal. O presente artigo recorre a dados recolhidos no âmbito de um projeto de investigação em curso e que tem como objeto a problemática das concepções — plurais e compósitas — que beneficiários de PMA constroem em torno do embrião humano in vitro. Entrevistas semidiretivas aplicadas a beneficiários e profissionais de PMA fornecem em concreto o suporte empírico para um olhar analítico enformado por uma sociologia dos envolvimentos, incidindo em particular sobre momentos da trajetória terapêutica das mulheres e casais em contexto de PMA que constituem marcadores ontológicos — definidores ou reconfiguradores dos estatutos conferidos aos embriões gerados. Dos discursos atuantes destes inquiridos são nomeadamente extraídos como eixos analíticos (a) a proveniência do material genético do embrião; (b) o deslocamento do embrião no espaço (e.g. transferência para o útero) e no tempo (e.g. impacto de uma gravidez de sucesso na conceitualização dos embriões de um mesmo lote); e (c) a apreensão sensorial (mediante imagem e/ou som). Esses elementos relativos ao trajeto clínico são, pois, passíveis de suscitar recomposições nos regimes de envolvimento evidenciados, suportando diferentes significados e formatos relacionais em torno dessa entidade por parte dos beneficiários.

Biomedicalizationwithin the context of Assisted Reproductive Technology (ART) has produced a new technoscientific collective actor and identity —the in vitrohuman embryo. It presents itself as a frontier object, in the sense that a fluidity of meanings produced and status conferred can be identifiable, not constituting a static and universal biological entity. The present article uses data collected from an ongoing research project, which addresses the conceptions —plural and composite —that ART beneficiaries build around the in vitrohuman embryo. Semi-directive interviews applied to ART beneficiaries and professionals provide the empirical support for an analytical look shaped by a sociology of engagements, focusing particularly on moments of the therapeutic trajectory of women and couples in the context of ART that constitute ontological markers—that define or reconfigure the statuses given to the embryos generated. Namely, from the respondents’ acting discourses can be extracted as analytical axes (a) the origin ofthe embryo's genetic material; (b) embryo’s displacement in space (e.g. transfer to the uterus) and in time (e.g. impact of a successful pregnancy on the conceptualization of embryos from the same batch); and (c) sensory apprehension (through image and/orsound). These elements concerning the clinical course can, thus, trigger recompositions in the regimes of engagement displayed, sustaining different meanings and relational formats around this entity by the beneficiaries.
Translated title of the contributionAt the frontier(s) between biological materialand potential child: Plural conceptions on the human embryo among ART beneficiaries
Original languagePortuguese
Pages (from-to)121-145
Number of pages25
JournalTerceiro Milênio: Revista Crítica de Sociologia e Política
Volume17
Issue number2
Publication statusPublished - 31 Dec 2021

Keywords

  • Embrião humano in vitro
  • Representações
  • Marcadores ontológicos
  • In vitrohuman embryo
  • Representations
  • Ontological markers

Fingerprint

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