As Mil e Uma Noites e o Orientalismo

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Abstract

Este estudo pretende inserir o conto «As Chinelas de Abu-Casem» na longa tradição textual das Mil e Uma Noites, que ganharam visibilidade no Ocidente a partir da tradução de Antoine Galland (de 1704 a 1717), coincidindo com o advento do academismo orientalista, por um lado e, por outro, com o desenvolvimento na Europa do conto enquanto género (a partir de Charles Perrault).
No entanto, o conto «As Chinelas de Abu-Casem» não surge na edição inicial de Galland, mas sim numa versão de um dos seus continuadores, Gouillard, intitulada Nouvelle Suite des Mille et une Nuits, e na de Denis Dominique Cardonne, Mélanges de Littérature Orientale, tendo sido igualmente inserido noutras traduções, como a de Joseph-Charles Mardrus, assumindo sempre variantes no título.
O problema da inserção do conto nas traduções europeias prende-se com a transmissão textual do ciclo das Mil e Uma Noites, bem como com o ramo temático a que pertence. O conto não parece ser proveniente da fonte persa a que remonta a adaptação árabe das Mil e Uma Noites, mas sim da compilação Tamarat al-Awraq (Frutos das Folhas), do sírio Ibn Higga al-Hamawi, do início do século XV, ligando o conto ao subgénero transversal das pequenas narrativas cómicas.
Original languagePortuguese
Title of host publicationAs Chinelas de Abu-Casem: Conto Arábico
Place of PublicationSetúbal
PublisherCentro de Estudos Bocageanos
Pages29-43
Number of pages14
ISBN (Print)978-989-8361-26-4
Publication statusPublished - 2016

Keywords

  • Tradição textual
  • Género
  • Conto
  • Mil e Uma Noites
  • Galland
  • Cardonne
  • Mardrus
  • Orientalismo
  • Tradução

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