Arquitetura sonora dos órgãos sêxtuplos de Mafra à luz do seu contexto artístico, litúrgico, político e social

Research output: Contribution to conferenceAbstract

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Abstract

Característica singular do órgão ibérico, o conceito de simetria visual e sonora do instrumento-rei disseminou-se prodigamente na península, bem como no ultramar hispânico, a partir da construção dos paradigmáticos órgãos duplos – maior e menor no aspeto instrumental, implantados simetricamente e revestidos por caixas idênticas – erigidos pelo mestre organeiro salmantino Manuel de la Viña na Catedral de Santiago de Compostela (1704-1712). Tal fenómeno favoreceu a composição de um vasto repertório no qual ambos os instrumentos eram utilizados tanto no acompanhamento do repertório a dois coros como naquele puramente instrumental. O conjunto de órgãos sêxtuplos da Real Basílica do Palácio de Mafra (1792-1807), erigidos cada três pelos mestres organeiros António Xavier Machado e Cerveira, português, e Joaquín Antonio Pérez Fontanes, espanhol, é o ponto culminante desse processo, propiciando uma notável dialética de planos sonoros contrastados, que se vale do espaço de separação entre os focos de emissão sonora para engendrar uma incontornável arquitetura sonora. O repertório poli-organístico histórico mafrense era secundado por diretórios litúrgicos precisos que reservavam a um maior grau de solenidade uma maior magnitude sonora, constituindo um dos pontos fulcrais do aparato ritual consagrador do poder régio. A presente comunicação, fruto de uma investigação de pós-doutoramento em curso, financiada pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia de Portugal, ao abrigo do Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical / Universidade NOVA de Lisboa, versa sobre a inequívoca transcendência deste conjunto instrumental – quer no âmbito ibérico, quer europeu –, à luz do contexto artístico, litúrgico, político e social que o engendrou.
Original languagePortuguese
Pages51-52
Number of pages2
Publication statusPublished - 8 Nov 2018
EventENIM 2018: VIII Encontro Nacional de Investigação em Música - Instituto Politécnico do Porto, Porto, Portugal
Duration: 8 Nov 201810 Mar 2019
http://www.spimusica.pt/wp-content/uploads/2018/04/Call-ENIM-2018-pt_ing.pdf

Conference

ConferenceENIM 2018
CountryPortugal
CityPorto
Period8/11/1810/03/19
Internet address

Keywords

  • órgão ibérico
  • órgão português
  • Palácio de Mafra
  • arquitetura sonora
  • música e poder

Cite this

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Arquitetura sonora dos órgãos sêxtuplos de Mafra à luz do seu contexto artístico, litúrgico, político e social. / Brescia, Marco.

2018. 51-52 Abstract from ENIM 2018, Porto, Portugal.

Research output: Contribution to conferenceAbstract

TY - CONF

T1 - Arquitetura sonora dos órgãos sêxtuplos de Mafra à luz do seu contexto artístico, litúrgico, político e social

AU - Brescia, Marco

N1 - info:eu-repo/grantAgreement/FCT/5876/147237/PT# UID/EAT/00693/2013

PY - 2018/11/8

Y1 - 2018/11/8

N2 - Característica singular do órgão ibérico, o conceito de simetria visual e sonora do instrumento-rei disseminou-se prodigamente na península, bem como no ultramar hispânico, a partir da construção dos paradigmáticos órgãos duplos – maior e menor no aspeto instrumental, implantados simetricamente e revestidos por caixas idênticas – erigidos pelo mestre organeiro salmantino Manuel de la Viña na Catedral de Santiago de Compostela (1704-1712). Tal fenómeno favoreceu a composição de um vasto repertório no qual ambos os instrumentos eram utilizados tanto no acompanhamento do repertório a dois coros como naquele puramente instrumental. O conjunto de órgãos sêxtuplos da Real Basílica do Palácio de Mafra (1792-1807), erigidos cada três pelos mestres organeiros António Xavier Machado e Cerveira, português, e Joaquín Antonio Pérez Fontanes, espanhol, é o ponto culminante desse processo, propiciando uma notável dialética de planos sonoros contrastados, que se vale do espaço de separação entre os focos de emissão sonora para engendrar uma incontornável arquitetura sonora. O repertório poli-organístico histórico mafrense era secundado por diretórios litúrgicos precisos que reservavam a um maior grau de solenidade uma maior magnitude sonora, constituindo um dos pontos fulcrais do aparato ritual consagrador do poder régio. A presente comunicação, fruto de uma investigação de pós-doutoramento em curso, financiada pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia de Portugal, ao abrigo do Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical / Universidade NOVA de Lisboa, versa sobre a inequívoca transcendência deste conjunto instrumental – quer no âmbito ibérico, quer europeu –, à luz do contexto artístico, litúrgico, político e social que o engendrou.

AB - Característica singular do órgão ibérico, o conceito de simetria visual e sonora do instrumento-rei disseminou-se prodigamente na península, bem como no ultramar hispânico, a partir da construção dos paradigmáticos órgãos duplos – maior e menor no aspeto instrumental, implantados simetricamente e revestidos por caixas idênticas – erigidos pelo mestre organeiro salmantino Manuel de la Viña na Catedral de Santiago de Compostela (1704-1712). Tal fenómeno favoreceu a composição de um vasto repertório no qual ambos os instrumentos eram utilizados tanto no acompanhamento do repertório a dois coros como naquele puramente instrumental. O conjunto de órgãos sêxtuplos da Real Basílica do Palácio de Mafra (1792-1807), erigidos cada três pelos mestres organeiros António Xavier Machado e Cerveira, português, e Joaquín Antonio Pérez Fontanes, espanhol, é o ponto culminante desse processo, propiciando uma notável dialética de planos sonoros contrastados, que se vale do espaço de separação entre os focos de emissão sonora para engendrar uma incontornável arquitetura sonora. O repertório poli-organístico histórico mafrense era secundado por diretórios litúrgicos precisos que reservavam a um maior grau de solenidade uma maior magnitude sonora, constituindo um dos pontos fulcrais do aparato ritual consagrador do poder régio. A presente comunicação, fruto de uma investigação de pós-doutoramento em curso, financiada pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia de Portugal, ao abrigo do Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical / Universidade NOVA de Lisboa, versa sobre a inequívoca transcendência deste conjunto instrumental – quer no âmbito ibérico, quer europeu –, à luz do contexto artístico, litúrgico, político e social que o engendrou.

KW - órgão ibérico

KW - órgão português

KW - Palácio de Mafra

KW - arquitetura sonora

KW - música e poder

M3 - Abstract

SP - 51

EP - 52

ER -