Adelaide Cabete e a génese da polícia feminina

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Abstract

A carreira policial feminina em Portugal iniciou-se em 1930 com a admissão na polícia de Lisboa das primeiras guardas, as quais desempenharam funções bastante restritas ao longo de todo o Estado Novo.
A entrada de agentes femininas na polícia foi antecedida pelo debate público acerca da sua necessidade e seus benefícios, ainda na década de 1920, gerado pelos movimentos feministas, em particular o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, fundado em 1914 pela médica Adelaide Cabete. Por ocasião do primeiro Congresso Nacional Abolicionista organizado em 1926 pela Liga
portuguesa Abolicionista, no qual se debateu e defendeu a abolição da prostituição, Adelaide Cabete incide um dos seus discursos sobre a necessidade da existência de uma polícia feminina. Partindo do exemplo de outros países, nos quais as agentes femininas eram já uma realidade, com benefícios comprovados, a médica advoga a existência de uma polícia feminina em Portugal, cujas funções seriam aquelas que viriam a desempenhar as primeiras guardas, nomeadamente a “vigilância e protecção das crianças, jovens e mulheres”, traçando o modelo ideal de agente policial feminina, bem como o seu nível de instrução. Ainda que com o objectivo último de abolir a prostituição, este modelo acabaria por marcar a carreira policial feminina durante os 50 anos que medeiam entre 1930 e 1980.
Original languagePortuguese
Title of host publicationPolícia(s) e Segurança Pública.
Subtitle of host publicationHistórias e Perspetivas Contemporâneas
EditorsMaria Fernanda Rollo, Pedro Marques Gomes, Adolfo Cueto Rodríguez
Place of PublicationLisboa
PublisherMUP
Pages217-233
Number of pages17
ISBN (Print)978-989-33-1022-9
Publication statusPublished - 2020

Keywords

  • Polícia
  • GENDER
  • Gender Studies
  • Women
  • Women empowerment
  • Women's History
  • Women's studies
  • Public Policies
  • Public policy
  • Prostituição
  • Prostitution

UN Sustainable Development Goals (SDGs)

  • SDG 5 - Gender Equality

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