A Medicina Portuguesa nos Hospitais Britânicos durante a Grande Guerra

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Abstract

Quando em Janeiro de 1917 as primeiras tropas embarcaram para o Norte da França, estavam longe de imaginar que na retaguarda das trincheiras o exército português encontrava-se desprovido de estruturas hospitalares para socorrer os feridos e doentes. A organização dos serviços de saúde do Corpo Expedicionário Português (CEP) incluía um Hospital de Medicina e um outro de Cirurgia na retaguarda, cuja constituição e abertura foi sendo adiada. Numa tentativa de suprir a falta de estruturas hospitalares na retaguarda, várias ambulâncias do CEP passaram a funcionar como Hospitais de Sangue. Contudo, continuavam a faltar hospitais, o que levou os soldados portugueses a serem admitidos nos hospitais do RAMC (Royal Army Medical Corps) na Flandres.
Através desta cooperação luso-britânica na área da saúde, vários médicos portugueses exerceram em diferentes hospitais do RAMC, apetrechados de recursos materiais e humanos, e contactaram com colegas, quer médicos, quer pessoal de enfermagem, dotados de uma formação e práticas de trabalho diferentes.
Para conhecermos um pouco mais sobre a medicina portuguesa nos hospitais britânicos da retaguarda no teatro de guerra europeu utilizamos um conjunto de fontes provenientes do Arquivo Histórico Militar (PT AHM), incluindo relatórios e correspondência diversa. Infelizmente as referências à presença portuguesa nas fontes britânicas consultadas, referentes ao Hospital Geral 26, são extremamente reduzidas. Por isso, nesta análise teremos apenas a perspectiva portuguesa da situação.
Partindo destas fontes e dos seus limites, pretendemos compreender como funcionou esta cooperação e como foi vista pelos médicos portugueses. Mas também conhecer quem foram os médicos portugueses que exerceram nas estruturas de saúde britânicas da retaguarda e em que estruturas. Tentaremos perceber como foi trabalhar nesses hospitais e quais as relações estabelecidas entre profissionais de saúde. Centraremos a nossa análise no Hospital Geral 26 (26 General Hospital) e no Hospital Estacionário 32 (32 Stationary Hospital) para analisarmos o balanço desta cooperação, isto é, se esta pode ser considerada positiva ou negativa.
Original languagePortuguese
Pages (from-to)155-170
Number of pages16
JournalPortuguese Studies Review
Volume25
Issue number2
Publication statusPublished - Dec 2017

Keywords

  • Grande Guerra
  • Medicina Portuguesa
  • Arquivo Histórico Militar
  • Hospital Geral 26
  • Hospital Estacionário 32
  • 26 General Hospital
  • 32 Stationary Hospital
  • Royal Army Medical Corps

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