La lettre exhumée ou les ambages de la traduction (XIIe-XIIIe siècles)

Translated title of the contribution: A letra exumada ou as errâncias da tradução (séculos XII-XIII)

Research output: Contribution to journalArticlepeer-review

Abstract

Que le roman émerge au XIIe siècle d’un déplacement linguistique qui met en rapport deux imaginaires poétiques et culturels, cela est bien connu. Que l’accès à l’écrit de cette nouvelle fiction en langue vulgaire implique un processus de légitimation où l’intégrité de la parole poétique – produit d’un mouvement rectiligne de translatio à partir de la source latine – se mesure aux écarts géométriques par rapport à un idéal grammatical d’écriture, cela aussi est bien connu. En parcourant prologues et épilogues de nombreux récits (tous genres partagés) composés entre les XIIe et XIIIe siècles, nous nous apercevons que l’action de déplacer, d’extraire ou d’exhumer la lettre enfouie dans les archives de la tradition manuscrite (qu’elle soit réelle ou inventée de toutes pièces) engendre une dynamique scripturaire qui n’est pas sans équivoques. L’art de la mise en roman (forme et discours hybride par excellence) se définit alors comme création d’un espace perméable dont l’identité instable réside justement dans la distance à la source qui creuse une faille par où s’engouffrent les limites entre vénération et profanation, vérité révélée et simulacre poétique, effacement de la voix auctoriale et affirmation de l’individualité créatrice, et dont émerge la fiction dans toute son hétérodoxe complexité.

Como é sabido, o romance nasce no século XII de uma transferência que põe em cena o confronto entre dois imaginários poéticos e culturais. E, como também é sabido, o acesso à escrita dessa nova ficção em língua vulgar implica frequentemente um processo de legitimação em que a integridade da palavra poética – produto de um movimento retilíneo de translatio a partir da fonte latina – é medida através dos desvios geométricos em relação a uma gramática da escrita idealizada. Percorrendo prólogos e epílogos de várias narrativas pertencentes a registos poéticos distintos compostas entre os séculos XII e XIII, verificamos que o ato de deslocar, extrair ou exumar a letra sepultada nos arquivos da tradição manuscrita (seja ela real ou fictícia) gera uma dinâmica paradoxal. A arte do romance (forma e discurso híbrido por excelência) insinua-se então como criação de um espaço permeável cuja identidade instável reside precisamente na distância em relação à fonte que introduz uma falha através da qual se dissolvem os limites entre veneração e profanação, verdade revelada e simulacro poético, apagamento da voz autoral e afirmação da individualidade criadora, e da qual emerge a ficção em toda a sua complexidade heterodoxa.
Translated title of the contributionA letra exumada ou as errâncias da tradução (séculos XII-XIII)
Original languageFrench
Pages (from-to)99-114
Number of pages16
JournalSynergies Portugal
Volume8
Publication statusPublished - 2020

Keywords

  • Poetics & Rhetoric
  • Imaginary
  • Translatio
  • French Medieval Literature
  • Imaginaire
  • Littérature française
  • Moyen Âge
  • Poétique
  • Rhétorique
  • Imaginário
  • Literatura francesa
  • Idade Média
  • Poética
  • Retórica

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