Šāh māt: O jogo de xadrez no al-andalus e o seu reflexo na literatura medieval

Research output: Chapter in Book/Report/Conference proceedingChapter

39 Downloads (Pure)

Abstract

A origem do jogo de xadrez está ligada a diversas lendas, remontando à Índia, no ano 3000 a.C. No entanto, apesar do carácter lendário, historicamente, considera-se que o jogo surgiu no século VI na Índia, conhecido pelo nome de chaturanga. Em 570, aparece na Pérsia com o nome de shatrandj e, por volta de 642, aquando da conquista da Pérsia pelos árabes, estes tomam conhecimento do shatrandj e serão eles os grandes difusores do jogo por todo o mundo islâmico, entre os séculos VII e IX, nomeadamente no al-Andalus.
Em 842 surge o primeiro tratado sobre o jogo de xadrez. Mas é entre os séculos XI e XII que aparece uma abundante literatura sobre o jogo de xadrez que, certamente, influenciou a obra de Afonso X de Castela, conhecida por Livro dos Jogos ou Livro de Xadrez, Dados e Tabuleiros. Algumas das suas iluminuras retratam uma época de convivência e de contratos entre mouros e cristãos, cujas relações foram visíveis, por exemplo, entre Ibn ‘Ammār e Afonso VI de Castela, através de uma partida de xadrez, onde o rei cristão sofreu xeque-mate (al-šāh māt). Na cultura islâmica, o jogo de xadrez está também ligado à mulher e ao amor cortês. Estes aspectos podem encontrar-se na figura feminina Dilaram e, metaforicamente, no mito pré-islâmico de Layla e Majnun, cuja influência se fez sentir no fin’amor da poesia trovadoresca e no romance cortês de Tristão e Isolda.
Original languagePortuguese
Title of host publicationO jogo do mundo:
Subtitle of host publicationEnsaios sobre o imaginário lúdico
EditorsMargarida Alpalhão, Carlos Carreto, Isabel Dias
Place of PublicationLisboa
PublisherIELT
Pages269-285
Number of pages16
ISBN (Electronic)978-989-99761-8-4
Publication statusPublished - 2017

Keywords

  • Jogo de xadrez
  • Al-Andalus
  • Literatura medieval
  • Amor cortês

Cite this

Nunes, N. M. L. (2017). Šāh māt: O jogo de xadrez no al-andalus e o seu reflexo na literatura medieval. In M. Alpalhão, C. Carreto, & I. Dias (Eds.), O jogo do mundo: : Ensaios sobre o imaginário lúdico (pp. 269-285). IELT .