Fotografias de marcos de fronteira: uma análise da retórica visual fotográfica

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Description

Esta proposta toma como objeto de análise alguns álbuns fotográficos produzidos no âmbito de diversas missões geodésicas e de delimitação de fronteiras, nos territórios africanos colonizados por Portugal, durante as primeiras duas décadas do século XX. Estas missões foram executadas por oficiais da Marinha portuguesa e patrocinadas pelo Ministério dos Negócios Ultramarinos.

O nosso suporte teórico será a semiótica de Peirce, considerando as três tricotomias do signo e evidenciando a dimensão pragmática da Retórica pura (na terceira tricotomia) que, na realidade, constitui cada um e todos os signos.

Assim, vamos seguir dois níveis de análise. O primeiro, considera o nível de análise de cada fotografia de per se: a sua indexicalidade, a relação (problemática) com o território, uma vez que a foto que serve, simbolicamente, para a apropriação territorial, é a mesma que o desterritorializa, isto é, não é auto suficiente no que diz respeito à sua geo-localização e exige o recurso a outros tipos de signo, como é o caso da inscrição das coordenadas geográficas na legenda ou no próprio marco fotografado, compondo, deste modo, um sistema multisemiótico. Aqui se trata, também, de uma retórica da prova fotográfica.

O segundo nível de análise, atenta na dimensão retórica dos álbuns em si mesmos, enquanto dispositivos de comunicação (diga-se, enquanto signos), seguindo e prosseguindo a proposta de Fidalgo e Ferreira ( artigo RCL sobre retórica mediatizada ) de uma retórica mediatizada. Considera-se o álbum enquanto media retórico: a sucessão de páginas com fotografias e respetivas legendas, sucessão que mimetiza o percurso e as deslocações da missão no território; o efeito de conjunto desta sucessão, como sejam a serialização, a classificação, a objetividade, a objetivação da fronteira, visto que esta é inexistente na natureza do próprio território e surge por efeito performativo do marco e da sua fotografia. Estas fotografias não são, simplesmente, imagens referenciais de marcos geodésicos, elas são atos performativos (Austin) de constituição da fronteira no ato mesmo de a fotografar. São ações geo-políticas, reveladoras de uma política colonial que enforma uma política da imagem. Em si mesmas, estas imagens são, simultaneamente, fortes e fracas. Discutiremos porquê.

Estes álbuns fotográficos estão no Arquivo Histórico Ultramarino e pertencem ao Museu Nacional de História Natural e da Ciência (Universidade de Lisboa) e esta proposta surge no contexto do projeto de investigação Photo Impulse (PTDC/COM-OUT/29608/2017), do ICNova em parceria dom a NOVA.ID.FCT e o Museu Nacional de História Natural e Ciência.
Period13 May 2019
Held atRetórica Mediatizada
Event typeConference
LocationLisboa, Portugal
Degree of RecognitionNational