Do que não falamos quando falamos de poesia? Uma proposta didática para o ensino de poesia a partir do haiku de Matsuo Bashô O mergulho da rã

Activity: Talk or presentationOral presentation

Description

Comunicação no âmbito da Sessão Coordenada: "Para o desenvolvimento de competências em linguagens e textos"

O presente trabalho insere-se na área da didática do português língua materna e tem por objetivo apresentar uma proposta didática de leitura de poesia. No processo de leitura, na sua dimensão interpretativa, errar-se-á frequentemente, mas para que se construa uma relação cada vez mais familiar com o texto poético será necessário o trabalho com a linguagem secreta e discreta da poesia (Barrento, 2016). O caminho para a fruição e entendimento de um poema não é linear pelo que a opção por vias diferenciadas de aproximação ao texto poético proporcionará experiências tanto mais ricas quanto mais diversificadas.
Neste sentido, a exploração de um poema pode partir da aproximação a uma outra linguagem que não a da escrita de poesia, nomeadamente a das artes plásticas, com destaque para a pintura. O encontro entre diferentes linguagens artísticas provoca a reflexão sobre as possibilidades dos discursos partilhados. Se, por um lado, reconhecemos que, ao longo dos tempos, a poesia assumiu por vezes o papel de dar a ver o objeto, por outro é preciso notar que o que é dado a ver não depende do objeto, antes pelo contrário, dele parte para de imediato se afastar, construindo dele uma visão única, subjetiva. Frias (2016) sublinha que o factor crucial do exercício ecfrástico, tal como foi previsto pela retórica e pela poética clássicas é, não o objeto de que o discurso se ocupa (que não precisa sequer de ser um objeto, e muito menos de ter uma existência referencial), mas o modo como o objeto é dado a ver.
Assim, é proposta uma abordagem ao haiku de Bashô O mergulho da rã, através do olhar do artista plástico Avelino Sá, em que a captação do momento em que o pensamento das coisas se torna poético (Costa, 2016) se realiza na interpretação do movimento da rã para a água. O entendimento da imagem pressupõe a participação ativa do observador, convocado a participar da própria construção do objeto artístico reconhecendo a relação da poesia com a pintura que atualmente se faz de uma forma menos referencial e mais problematizante (cf. Frias 2016). O
diálogo entre as duas linguagens abandona a dimensão ecfrástica colocando-se um nível mais abstrato, em que os referentes históricos não são apresentados de forma imediata ou óbvia. Pelo contrário, estes tornam-se motivos de criação poética originando composições onde a linguagem poética se sobrepõe a uma dimensão descritiva. Avelar (2018) reforça a dimensão dialógica entre texto e imagem situando-a no domínio da relação heterossemiótica, o que implica o reconhecimento de uma dimensão nuclear, a da autorreflexividade que perpassa os textos.
Por último, na senda do pensamento de Benjamin (2015) segundo o qual a tradução é uma forma própria, a proposta didática apreciará as versões de Alberto Marsicano, Cecília Meireles, Casimiro de Brito, Carlos Verçosa, António Nojiri, Haroldo de Campos, Venceslau de Moraes, Tei Okimura, Regina Bostulim e Paulo Leminski, levando à discussão das variações de sentido a partir de uma análise lexical.
Period19 Nov 2021
Event title7th International Conference on Grammar & Text
Event typeConference
LocationPortugal
Degree of RecognitionInternational